Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações no primeiro debate direto da campanha eleitoral, realizado pela Band, e apresentaram poucas propostas detalhadas para áreas centrais do país.
Os programas de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as declarações públicas e o horário eleitoral haviam indicado apenas linhas gerais das candidaturas. No debate, Lula defendeu a continuidade de políticas públicas e Flávio explorou a ideia de mudança e a insatisfação com o governo.
Na economia, os candidatos não detalharam como pretendem equilibrar as contas públicas. A dívida bruta do país chegou a 82,86% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, segundo o conteúdo original, mas o tema apareceu de forma superficial no confronto.
A campanha de Lula acusa Flávio de planejar cortes em programas como Bolsa Família e Farmácia Popular dentro do ajuste que propõe para as despesas. Flávio nega e afirma que pretende conceder reajustes acima da inflação para as aposentadorias do INSS.
A equipe econômica do candidato do PL estuda um ajuste equivalente a 1,5% do PIB no primeiro ano de governo, estimado em cerca de R$ 200 bilhões. A proposta inclui rever o arcabouço fiscal, reduzir supersalários, cargos comissionados e ministérios e envolver os demais Poderes no esforço, mas não detalha a origem da economia necessária.
Lula aposta nos programas sociais e, durante a campanha, anunciou medidas como o aumento do Bolsa Família, a redução a zero dos impostos federais sobre a gasolina e a promessa de uma proposta de emenda à Constituição para garantir transporte público gratuito nos fins de semana. A campanha afirma que o custo estimado de R$ 12 bilhões seria coberto por emendas parlamentares, mediante negociação com o Congresso.
As duas campanhas também apresentaram propostas para o endividamento. Lula defende o Desenrola 3.0, enquanto Flávio cita o programa SOS Brasil, que prevê um fundo abastecido por royalties do petróleo, imóveis da União e securitização de créditos, sem detalhar a execução da medida.
A segurança pública, apontada como a principal preocupação dos eleitores em pesquisa Quaest de agosto, também foi tratada sem estimativas de custo. Flávio defende reduzir a maioridade penal, ampliar o sistema prisional e criar 500 mil vagas nos estados em quatro anos; Lula propõe um Ministério da Segurança Pública, transformar 138 presídios estaduais em unidades de segurança máxima e ampliar operações da Polícia Federal.
O próximo debate entre os candidatos está marcado para sexta-feira, na TV Globo. Para o cientista político Leandro Gabiati, diretor da consultoria Dominium, a polarização fez com que o eleitor fosse chamado a escolher entre dois caminhos políticos antes de conhecer plenamente os planos de governo.
Fonte: O GLOBO