Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações no primeiro confronto direto da campanha, realizado pela Band, nesta segunda-feira (19), e apresentaram poucas propostas detalhadas.
Os programas de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as declarações públicas e o horário eleitoral traçaram apenas linhas gerais para áreas como economia, segurança e políticas sociais. No debate, os candidatos mantiveram as estratégias adotadas ao longo da campanha: Lula defendeu seu legado e a continuidade de políticas públicas, enquanto Flávio explorou a promessa de mudança.
A economia foi discutida sem detalhamento sobre como os dois candidatos pretendem equilibrar as contas públicas. A dívida bruta do país chegou a 82,86% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, maior índice desde março de 2021.
A campanha de Lula acusa Flávio de planejar cortes em programas como Bolsa Família e Farmácia Popular por meio do chamado “tesouraço”. O candidato do PL nega a acusação e promete reajustes acima da inflação para as aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A equipe econômica de Flávio estuda um ajuste equivalente a 1,5% do PIB no primeiro ano de governo, cerca de R$ 200 bilhões. A proposta inclui rever o arcabouço fiscal, reduzir supersalários, cargos comissionados e ministérios e envolver os demais Poderes no esforço de contenção, mas não informa de onde sairiam todos os recursos.
Lula ampliou benefícios durante a campanha e, ao mesmo tempo, passou a defender medidas de controle de despesas. O governo elevou o Bolsa Família para R$ 691, com a primeira parcela nesse valor prevista para 20 de outubro, zerou impostos federais sobre a gasolina e prometeu enviar uma proposta de passe livre no transporte público aos fins de semana.
A equipe econômica do governo aponta a revisão de benefícios tributários e a desaceleração de despesas obrigatórias como caminhos para o ajuste. Não foram apresentadas uma meta de economia nem etapas detalhadas para a execução das medidas.
Para renegociar dívidas de famílias, Lula aposta no Desenrola 3.0, lançado em setembro, com previsão de até R$ 15 bilhões para a compra de carteiras de débitos e alcance estimado de 15 milhões de pessoas. Flávio citou o programa SOS Brasil, que prevê um fundo abastecido por royalties do petróleo, imóveis da União e securitização de créditos, mas não explicou como a iniciativa funcionaria.
A segurança pública também foi abordada sem estimativas de custo. Flávio defende reduzir a maioridade penal, ampliar o sistema prisional, construir cinco presídios federais e criar 500 mil vagas nos estados em quatro anos.
Lula prometeu criar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição sobre o tema, transformar 138 presídios estaduais em unidades de segurança máxima e ampliar operações da Polícia Federal contra o crime organizado. O presidente também passou a defender a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.
O próximo debate entre os candidatos está marcado para sexta-feira (23), na TV Globo. Para o cientista político Leandro Gabiati, diretor da consultoria Dominium, a polarização levou as propostas para o segundo plano da disputa.
Fonte: O Globo