O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações no primeiro debate direto da campanha eleitoral, realizado pela Band, e dedicaram pouco espaço ao detalhamento de propostas.
Os programas de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as declarações públicas e o horário eleitoral apresentam apenas linhas gerais dos planos dos candidatos. Temas centrais, como economia, endividamento e segurança pública, não foram aprofundados no confronto.
Lula tem defendido a continuidade de políticas públicas e o legado de seu governo. Flávio concentra a campanha na promessa de mudança e na insatisfação com a atual gestão.
Na economia, as campanhas apresentaram propostas distintas, mas sem detalhar como pretendem equilibrar as contas públicas. A dívida bruta do país chegou a 82,86% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, o maior índice desde março de 2021.
A campanha de Lula acusa Flávio de planejar cortes em programas como Bolsa Família e Farmácia Popular por meio de um ajuste fiscal. O senador nega e promete reajustes acima da inflação para as aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A equipe econômica de Flávio estuda uma redução de despesas equivalente a 1,5% do PIB no primeiro ano de governo, cerca de R$ 200 bilhões. A proposta inclui rever o arcabouço fiscal, reduzir supersalários, cargos comissionados e ministérios e envolver os demais Poderes no esforço fiscal, mas não detalha a origem da economia necessária para o ajuste.
Lula aposta nos programas sociais e adotou medidas de ampliação de gastos durante a campanha. Entre elas estão o aumento do Bolsa Família para R$ 691, a redução a zero dos impostos federais sobre a gasolina e a promessa de enviar uma proposta de emenda à Constituição para instituir passe livre no transporte público aos fins de semana.
Ao mesmo tempo, a campanha petista defende a revisão de benefícios tributários e a desaceleração do crescimento de despesas obrigatórias. Segundo a economista Juliana Inhasz, professora do Insper, os dois programas ainda não explicam de forma detalhada como pretendem fechar as contas a partir de 2027.
No tema do endividamento, Lula apresenta o Desenrola 3.0, lançado em setembro, com previsão de até R$ 15 bilhões para comprar carteiras de débitos e renegociá-las. Flávio cita o programa SOS Brasil, que prevê um fundo abastecido por royalties do petróleo, imóveis da União e securitização de créditos, mas não explicou como a proposta funcionaria.
A segurança pública, apontada como principal preocupação por 33% dos entrevistados em pesquisa Quaest de agosto, também foi tratada sem estimativas de custos. Flávio defende reduzir a maioridade penal, ampliar o sistema prisional e criar 500 mil vagas nos estados em quatro anos.
Lula passou a defender a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos e propõe transformar 138 presídios estaduais em unidades de segurança máxima. O presidente também promete criar um Ministério da Segurança Pública após a aprovação de uma proposta de emenda constitucional sobre o tema.
Para o cientista político Leandro Gabiati, diretor da consultoria Dominium, a polarização da disputa empurrou as propostas para segundo plano. O próximo debate entre os candidatos está marcado para sexta-feira, na TV Globo.
Fonte: O Globo