Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) trocaram ataques no primeiro debate direto da campanha, realizado pela Band nesta segunda-feira (19), e deixaram o detalhamento de propostas em segundo plano.
Os programas de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as declarações públicas e o horário eleitoral apresentam apenas linhas gerais dos planos dos dois candidatos. Temas centrais, como economia, segurança pública e endividamento, não foram aprofundados no confronto.
Lula tem defendido a continuidade de políticas públicas e o legado de seu governo. Flávio concentra o discurso na mudança e na insatisfação com a atual gestão.
Na área econômica, a campanha do candidato do PT acusa Flávio de planejar cortes em programas como Bolsa Família e Farmácia Popular dentro do chamado “tesouraço”. O senador nega e promete reajustes acima da inflação para as aposentadorias do INSS.
A equipe econômica de Flávio avalia um ajuste equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro ano de governo, cerca de R$ 200 bilhões. A proposta inclui rever o arcabouço fiscal, reduzir supersalários, cargos comissionados e ministérios e envolver os demais Poderes no esforço de contenção de despesas, mas não detalha a origem da economia necessária.
Lula, por sua vez, ampliou medidas sociais e anunciou iniciativas com impacto sobre as contas públicas. O Bolsa Família foi elevado para R$ 691, enquanto a campanha também defendeu o passe livre no transporte público aos fins de semana e a redução de impostos federais sobre a gasolina.
Ao mesmo tempo, a equipe econômica do presidente afirma que pretende revisar benefícios tributários e desacelerar o crescimento de despesas obrigatórias, como benefícios previdenciários vinculados ao salário mínimo e os pisos constitucionais de saúde e educação. Segundo a economista Juliana Inhasz, professora do Insper, os dois programas ainda não esclarecem como as contas serão fechadas a partir de 2027.
Para enfrentar o endividamento das famílias, Lula aposta no Desenrola 3.0, lançado em setembro, com previsão de até R$ 15 bilhões para a compra de carteiras de débitos e alcance estimado de até 15 milhões de pessoas. Flávio apresentou o programa SOS Brasil, que prevê um fundo abastecido por royalties do petróleo, imóveis da União e securitização de créditos, mas não explicou como a proposta funcionaria na prática.
A segurança pública, apontada como a principal preocupação dos eleitores em pesquisa Quaest de agosto, também foi tratada sem estimativas de custos. Flávio defende a redução da maioridade penal, a ampliação do sistema prisional, a construção de cinco presídios federais e a criação de 500 mil vagas nos estados em quatro anos.
Lula propõe criar um Ministério da Segurança Pública após a aprovação de uma PEC sobre o tema, transformar 138 presídios estaduais em unidades de segurança máxima e ampliar operações da Polícia Federal contra o crime organizado. O presidente também passou a defender a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.
O próximo debate entre os candidatos está marcado para sexta-feira (23), na TV Globo. Para o cientista político Leandro Gabiati, diretor da consultoria Dominium, a polarização fez com que o eleitor fosse chamado a escolher entre dois caminhos políticos antes de conhecer integralmente os planos de governo.
Fonte: O GLOBO