O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) trocaram ataques no primeiro debate direto da campanha, realizado pela Band nesta segunda-feira (19), enquanto o detalhamento das propostas ficou em segundo plano.
Os programas de governo apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as declarações públicas e o horário eleitoral traçaram apenas um panorama geral das promessas dos candidatos. Temas centrais para o país, como economia, endividamento e segurança pública, não foram aprofundados no confronto.
Na economia, as campanhas apresentaram propostas distintas. Lula defende a continuidade de políticas públicas e afirma que pretende revisar benefícios tributários e desacelerar o crescimento de despesas obrigatórias, mas não apresentou uma meta de economia nem um plano detalhado.
Flávio Bolsonaro promete um ajuste equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro ano de governo, cerca de R$ 200 bilhões. A equipe do candidato também fala em rever o arcabouço fiscal, reduzir supersalários, cargos comissionados e ministérios, mas não detalhou a origem dos recursos para sustentar a medida.
O debate econômico ocorre em meio ao aumento da dívida bruta, que chegou a 82,86% do PIB em agosto, segundo o conteúdo original. A campanha de Lula acusa Flávio de planejar cortes no Bolsa Família e no Farmácia Popular, enquanto o senador nega e promete reajuste acima da inflação para aposentadorias do INSS.
Lula também aposta em programas sociais e apresentou medidas como o aumento do Bolsa Família para R$ 691, a redução a zero de impostos federais sobre a gasolina e a promessa de enviar uma proposta de passe livre no transporte público aos fins de semana.
Na segurança pública, Flávio defende a redução da maioridade penal, o endurecimento das leis e a ampliação do sistema prisional. Ele promete construir cinco presídios federais e criar 500 mil vagas nos estados em quatro anos, sem apresentar estimativa de custos.
Lula promete criar um Ministério da Segurança Pública após a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição sobre o tema, transformar 138 presídios estaduais em unidades de segurança máxima e ampliar operações da Polícia Federal contra o crime organizado. O presidente também passou a defender a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.
O próximo debate entre os dois candidatos está marcado para sexta-feira, na TV Globo. Para o cientista político Leandro Gabiati, diretor da consultoria Dominium, a polarização levou as propostas para o segundo plano da disputa.
Fonte: O Globo