Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) trocaram ataques no primeiro debate direto da campanha, realizado na Band nesta segunda-feira (19), enquanto o detalhamento das propostas ficou em segundo plano.
Os programas de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as declarações públicas e o horário eleitoral apresentaram apenas linhas gerais dos planos dos candidatos. Temas como economia, segurança pública e endividamento não foram aprofundados no confronto.
Na economia, as campanhas apresentaram propostas distintas. Lula defende a continuidade de políticas públicas, enquanto Flávio explora a mudança e as críticas ao governo.
A equipe de Flávio estuda um ajuste equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro ano de governo, estimado em cerca de R$ 200 bilhões. A campanha fala em rever o arcabouço fiscal, reduzir supersalários, cargos comissionados e ministérios, mas não detalha como financiaria o ajuste inicial.
Lula, por sua vez, combina a defesa de programas sociais com a promessa de equilíbrio fiscal. A campanha prevê a revisão de benefícios tributários e a desaceleração do crescimento de despesas obrigatórias, mas ainda não apresentou uma meta de economia nem um plano detalhado.
As campanhas também divergem sobre o endividamento. Lula aposta no Desenrola 3.0, lançado em setembro, enquanto Flávio cita o programa SOS Brasil, que prevê o uso de royalties do petróleo, imóveis da União e securitização de créditos para renegociar dívidas de pessoas e empresas.
Na segurança pública, Flávio defende a redução da maioridade penal e a ampliação do sistema prisional. Ele promete construir cinco presídios federais e criar 500 mil vagas nos estados em quatro anos, sem estimar os custos.
Lula promete criar um Ministério da Segurança Pública após a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição sobre o tema, transformar 138 presídios estaduais em unidades de segurança máxima e ampliar operações da Polícia Federal contra o crime organizado. O presidente também passou a defender a redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes hediondos.
O próximo debate entre os candidatos está marcado para sexta-feira (23), na TV Globo. Para o cientista político Leandro Gabiati, diretor da consultoria Dominium, a polarização levou as propostas para o segundo plano da disputa.
Fonte: O Globo