Flávio Bolsonaro defendeu a ditadura militar e criticou iniciativas de responsabilização pelos crimes do regime em discursos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, entre 2004 e 2011, e no livro Mito ou verdade, lançado em 2017.
Na obra, o senador exalta o golpe de 1964 e afirma que agentes da repressão deveriam ser tratados como heróis nacionais. Ele também elogia o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, responsabilizado por violações cometidas durante a ditadura, e o descreve como um militar correto e íntegro.
Flávio critica a Comissão Nacional da Verdade, criada para apurar violações do regime, e acusa o órgão de reescrever a história sob a perspectiva da esquerda. No livro, também sugere que o ex-deputado Rubens Paiva, morto após ser levado ao DOI-Codi, teria sido assassinado por grupos de esquerda.
Durante sua passagem pela Assembleia Legislativa do Rio, Flávio fez discursos anuais em defesa do regime militar. Em 2004, afirmou que houve avanços econômicos, sociais e políticos durante a ditadura; em 2009, declarou orgulho e agradecimento aos militares; e, em 2010 e 2011, negou que o período tivesse começado com um golpe.
Flávio nasceu em Resende, no Rio de Janeiro, em 30 de abril de 1981, mesma data do atentado do Riocentro. Na ocasião, dois militares transportaram bombas que seriam usadas em uma ação para provocar pânico durante um show e atribuir a responsabilidade à esquerda, segundo a versão apresentada na matéria.
Em 2014, quando o Ministério Público Federal reabriu o caso Riocentro, Jair Bolsonaro acompanhou o depoimento de um militar investigado. Na ocasião, segundo a matéria, o então deputado voltou a atacar a Comissão da Verdade e afirmou defender uma reedição da Operação Condor, aliança clandestina entre ditaduras do Cone Sul.
Fonte: O Globo