O senador Flávio Bolsonaro mantém, em livro e discursos públicos, posições favoráveis à ditadura militar e contrárias às iniciativas de responsabilização por crimes cometidos durante o regime. As declarações foram feitas ao longo de sua trajetória política, incluindo a publicação de uma obra em 2017.
Flávio nasceu em 30 de abril de 1981, data do atentado do Riocentro, em que dois militares transportaram bombas para um show no Rio de Janeiro. Segundo a versão apresentada na época, o plano buscava provocar pânico, atribuir a ação à esquerda e dificultar o processo de redemocratização.
No livro Mito ou verdade, Flávio exalta o golpe de 1964 e o regime autoritário. Ele afirma que agentes da repressão deveriam ser tratados como heróis nacionais e elogia o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, apontado por vítimas e documentos como responsável por torturas durante a ditadura.
O senador também acusa a Comissão Nacional da Verdade de tentar reescrever a história sob a perspectiva de grupos de esquerda. Na obra, questiona a versão sobre a morte do ex-deputado Rubens Paiva, assassinado após ser levado ao DOI-Codi, e sugere envolvimento de organizações de esquerda no episódio.
Durante seus mandatos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Flávio fez discursos anuais em defesa do regime militar. Em 2004, afirmou que o período havia produzido avanços econômicos, sociais e políticos; em 2009, declarou orgulho e agradecimento aos militares.
Em 2010 e 2011, o então deputado criticou a classificação do movimento de 1964 como golpe e defendeu o combate ao que chamou de mentira sobre a ruptura institucional. A família Bolsonaro, segundo ele, mantinha posição conhecida sobre o tema.
O pai de Flávio, Jair Bolsonaro, também construiu sua atuação política em defesa da ditadura e de militares acusados de tortura. Quando o Ministério Público Federal reabriu o caso Riocentro, em 2014, ele acompanhou o depoimento de um militar investigado, atacou a Comissão da Verdade e afirmou defender uma nova versão da Operação Condor.
Fonte: O Globo