Uma força-tarefa formada por universidades e órgãos estaduais e federais repatriou 1.281 fósseis para o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, no Ceará, nos últimos cinco anos.
As peças foram recuperadas de coleções em Alemanha, Estados Unidos, França, Irlanda, Itália, Reino Unido e Suíça. A iniciativa busca combater o tráfico e a retirada ilegal de patrimônio paleontológico brasileiro.
Entre os materiais repatriados está uma estrutura de araucária estimada em 120 milhões de anos. A espécie recebeu o nome de Araucaria benignae, em homenagem à beata Benigna, reconhecida pelo Vaticano e considerada a primeira pessoa do Ceará a receber esse reconhecimento.
Segundo a pesquisadora Edenilce Peixoto Batista, a araucária tinha ampla distribuição no Nordeste durante o período Cretáceo, embora atualmente a família esteja concentrada principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.
A Chapada do Araripe é reconhecida pela quantidade e pela qualidade dos fósseis preservados. A região concentra espécies do Cretáceo Inferior e é apontada como um dos principais locais do mundo para estudos sobre pterossauros.
O museu, criado há 38 anos, possui mais de 15 mil fósseis escavados na Chapada do Araripe. Entre os exemplares do acervo está o Ubirajara jubatus, que também foi repatriado da Alemanha.
A ampliação da coleção acompanhou o aumento do público. O museu recebeu mais de 35 mil visitantes em 2025 e cerca de 24 mil até julho deste ano, embora a maior parte do público ainda venha de fora da região do Cariri.
Projetos educacionais também tentam aproximar os moradores do patrimônio paleontológico local. No Educar Sesc Crato, uma Sala de Ciências oferece atividades como oficinas de escavação, manuseio de réplicas e contato orientado com fósseis.
Fonte: G1 Ceará