A SpaceX mantém dois serviços baseados em sua rede de satélites — o Starlink, voltado ao mercado comercial, e o Starshield, desenvolvido para governos e forças armadas. A diferença voltou ao centro do debate após a Ucrânia relatar restrições em serviços Starlink usados no conflito com a Rússia.
Em publicação no X em 14 de outubro, Elon Musk afirmou que os sistemas Starshield pertencem e estão sob controle do governo dos Estados Unidos. Segundo ele, eventuais limites de velocidade ou de uso são definidos pelos militares ou pelo presidente americano.
Musk também diferenciou os serviços comerciais da SpaceX. De acordo com a explicação publicada por ele, o Starlink é destinado a atividades civis ou defensivas e não deve ser usado em ações militares ofensivas.
O Starlink fornece internet por meio de milhares de satélites em órbita baixa da Terra. A rede atende usuários civis, empresas, embarcações e companhias aéreas, e se tornou uma das principais fontes de receita da SpaceX.
O Starshield é a unidade da empresa voltada a sistemas para comunicação segura, inteligência e observação terrestre. O serviço utiliza a infraestrutura e a tecnologia do Starlink, mas pode contar com satélites próprios, equipamentos exclusivos e camadas adicionais de criptografia.
Os dados do Starshield podem ser transmitidos por satélites convencionais da rede Starlink, embora permaneçam separados das informações dos usuários civis. Também existem satélites Starshield destinados a missões de reconhecimento e comunicação militar que não ficam disponíveis para clientes comerciais.
O principal cliente do Starshield é o governo dos Estados Unidos. O Pentágono, a Space Force e o National Reconnaissance Office contrataram serviços e equipamentos da SpaceX para comunicações, detecção de ameaças e atividades de reconhecimento, segundo informações divulgadas pela Reuters.
A proximidade entre os dois sistemas ajuda a explicar a confusão na Ucrânia. Antenas utilizadas no campo de batalha podem ter aparência de equipamentos Starlink, mesmo quando estão vinculadas a contratos Starshield ou adaptadas para uso governamental.
Após o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, a Starlink passou a desempenhar papel central nas comunicações ucranianas. O país recebeu dezenas de milhares de terminais de parceiros internacionais, enquanto contratos financiados pelos Estados Unidos ampliaram o acesso a equipamentos e serviços Starshield.
Apesar de compartilharem parte da infraestrutura, Starlink e Starshield têm finalidades, contratos e níveis de proteção diferentes. A definição sobre quando um terminal comercial passa a operar sob um serviço militar depende do equipamento utilizado e das condições estabelecidas pelo governo americano.
Fonte: g1