A Starshield, unidade da SpaceX voltada a governos e forças armadas, utiliza parte da tecnologia do Starlink, mas opera sob contratos e controles específicos do governo dos Estados Unidos. A distinção voltou ao debate após declarações de Elon Musk sobre restrições ao uso de serviços da empresa pela Ucrânia.
Em publicação no X, Musk afirmou que os sistemas Starshield pertencem e estão sob controle do governo americano. Segundo ele, eventuais limites de velocidade ou de utilização são definidos pelas autoridades militares ou pelo presidente dos Estados Unidos.
O Starlink é o serviço comercial de internet via satélite da SpaceX. A rede usa milhares de satélites em órbita baixa da Terra para atender clientes civis, empresas e governos, inclusive em áreas remotas e em regiões afetadas por conflitos.
Já o Starshield foi apresentado pela SpaceX no fim de 2022 como uma plataforma para comunicações seguras, observação da Terra e missões de inteligência. O sistema pode usar a infraestrutura do Starlink, mas acrescenta criptografia, equipamentos próprios e satélites exclusivos, que não ficam disponíveis para clientes civis.
Os dados transmitidos pelo Starshield podem passar por satélites convencionais da rede Starlink, mas recebem proteção adicional e são separados das informações dos usuários comerciais. Terminais Starlink também podem ser adaptados para contratos militares específicos.
O Pentágono, a Space Force e o National Reconnaissance Office estão entre os principais clientes governamentais da tecnologia. A Reuters informou em 2024 que os Estados Unidos adquiriram satélites Starshield para comunicações militares, detecção de possíveis ataques com mísseis e atividades de reconhecimento.
A relação entre os dois sistemas ficou especialmente evidente na Ucrânia. Depois que um ataque cibernético atribuído à Rússia afetou a rede KA-SAT, em fevereiro de 2022, terminais Starlink passaram a ser usados pelas forças ucranianas para manter comunicações na linha de frente.
A Ucrânia recebeu mais de 50 mil terminais Starlink de parceiros. Em 2023, o Comando Europeu dos Estados Unidos financiou 500 terminais Starshield para o país, e um contrato de 2024 ampliou o acesso ao sistema militar para 2.500 terminais Starlink já instalados, segundo as informações reunidas pela Reuters.
Por usarem antenas e parte da mesma infraestrutura, Starlink e Starshield podem parecer o mesmo sistema no campo de batalha. A diferença principal está no contrato, no nível de proteção dos dados, nos equipamentos e nas regras de uso determinadas pelo governo americano.
Fonte: g1