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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

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Jornal Diário do Povo

SEGURANÇA

Tarcísio anuncia revisão de protocolos da PM após três mortes em ocorrências de surto

Tarcísio afirma que São Paulo revisará protocolos da PM após três mortes em ocorrências envolvendo pessoas em possível surto.

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta sexta-feira (16) que o governo vai revisar procedimentos e reforçar o treinamento da Polícia Militar após três pessoas em possível surto psicológico serem mortas por agentes em ocorrências distintas na capital.

Tarcísio disse que terá uma reunião com o comando-geral da PM na próxima semana para avaliar protocolos de atuação e evitar excessos. Segundo ele, cada caso será analisado individualmente, considerando se havia ameaça caracterizada e a necessidade de proteção dos próprios policiais.

O caso mais recente ocorreu em Pirituba, na Zona Norte, onde Camila Pereira da Silva, de 32 anos, foi baleada no peito por um policial durante uma abordagem. Ela segurava uma faca e morreu no local, deixando duas filhas pequenas.

O soldado André Coelho Maximo da Costa foi preso em flagrante, mas obteve liberdade provisória em audiência de custódia. A Justiça determinou que ele seja afastado de atividades operacionais e de funções que exijam porte de arma pelo período de um ano, mantendo-o em funções administrativas.

Na decisão, o juiz Lucas Bannwart Pereira afirmou que não era possível descartar, naquele momento, a hipótese de legítima defesa. A defesa declarou que o policial seguiu os procedimentos operacionais, acionou a Central de Operações da Polícia e atirou quando avaliou não ter mais possibilidade de recuo.

O delegado responsável pelo registro, João Pedro Murgolo, considerou que a reação foi desproporcional e que não houve uso progressivo da força. Segundo o boletim de ocorrência, as imagens indicariam que Camila caminhava em direção aos policiais com os braços baixos e sem realizar um movimento de ataque no momento do disparo.

A Secretaria da Segurança Pública informou que o caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa e que também foi instaurado um Inquérito Policial Militar, acompanhado pela Corregedoria da PM. A arma usada pelo policial foi apreendida e será periciada.

As outras duas mortes ocorreram em um intervalo de uma semana. Em 3 de outubro, Antonio Nunes Batista, de 40 anos, foi morto após policiais dispararem 24 vezes na Vila Dionísia, na Zona Norte. Em 10 de outubro, Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, morreu em Moema, na Zona Sul, após agentes efetuarem 45 disparos.

A Polícia Civil investiga separadamente as duas ocorrências para apurar se houve legítima defesa ou eventual excesso. Especialistas ouvidos pela reportagem defenderam o reforço dos protocolos de uso progressivo da força e de treinamentos específicos para abordagens de pessoas em crise.

Fonte: g1

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