Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apreendeu cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil com um carcereiro suspeito de facilitar regalias para o ex-vereador Milton Leite, preso na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A ação ocorreu nesta sexta-feira (16).
Segundo a investigação, aproximadamente R$ 150 mil e US$ 10 mil foram encontrados na casa do agente. Outros cerca de R$ 4 mil estavam no bolso dele durante uma busca realizada na unidade prisional.
A operação foi autorizada pela Justiça após uma denúncia anônima sobre suposto favorecimento a Leite. Entre as suspeitas estão visitas de políticos e amigos fora dos dias e horários permitidos, inclusive à noite e aos fins de semana.
De acordo com as informações apuradas, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e os deputados estaduais Delegado Olin (PP) e Rogério Franco (PL) teriam visitado Milton Leite sem autorização formal. A investigação também busca celulares, imagens de câmeras de segurança e outros elementos que possam esclarecer o caso.
Os promotores apuram possíveis crimes de corrupção ativa e passiva. A ação incluiu buscas em celas da cadeia, no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes e na residência do carcereiro, e a Corregedoria da Polícia Civil poderá instaurar procedimento administrativo para verificar eventual participação de policiais.
Imagens analisadas pelos investigadores registram a chegada de uma caminhonete ligada à empresa da família de Milton Leite à cadeia nos dias 8 e 9 de outubro, além da entrada de um carro de luxo. Também foi registrada a chegada de uma viatura descaracterizada ao distrito policial; segundo a apuração, Leite teria sido levado ao local pela entrada administrativa e permanecido ali por quase uma hora, sem que o motivo do deslocamento estivesse informado no processo.
Milton Leite está preso desde 18 de setembro no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público de São Paulo. Na quarta-feira (14), a Justiça prorrogou por 30 dias a prisão temporária dele e dos demais investigados.
O ex-vereador nega as acusações. Ao deixar a unidade para realizar exame no Instituto Médico-Legal, afirmou que era inocente e que teria a oportunidade de provar sua versão no curso da investigação.
Fonte: g1