O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta sexta-feira (16) que pretende revisar protocolos e reforçar o treinamento da Polícia Militar após três pessoas em possível surto psicológico serem mortas em ações recentes na capital paulista.
Segundo o governador, o Palácio dos Bandeirantes acompanha os casos individualmente e deve se reunir na próxima semana com o comando-geral da PM para avaliar os procedimentos adotados pelos agentes. Tarcísio afirmou que é preciso diferenciar situações de ameaça concreta, sem deixar de considerar a proteção da vida dos policiais.
O caso mais recente ocorreu em Pirituba, na Zona Norte, onde Camila Pereira da Silva, de 32 anos, foi baleada no peito por um policial militar. Ela segurava uma faca e caminhava em direção a agentes, segundo os registros da ocorrência, e morreu no local.
O soldado André Coelho Maximo da Costa foi preso em flagrante, mas a Justiça concedeu liberdade provisória em audiência de custódia. Ele foi afastado das atividades operacionais e ficará restrito a funções administrativas, sem porte de arma de fogo, pelo prazo de um ano.
O juiz Lucas Bannwart Pereira considerou que o policial é primário, tem vínculo com a comarca e emprego lícito. A decisão também registrou que não era possível descartar, naquele momento, a hipótese de legítima defesa, diante dos relatos de que Camila teria avançado com uma faca após receber ordens para parar.
O delegado responsável pelo registro, João Pedro Murgolo, avaliou no boletim de ocorrência que a reação foi desproporcional e que não houve uso progressivo da força. A defesa do soldado sustenta que ele cumpriu os procedimentos operacionais, acionou a Central de Operações da Polícia e disparou quando não teria mais possibilidade de recuar.
A morte de Camila ocorreu uma semana após outros dois episódios envolvendo pessoas em possível crise mental. Em 3 de outubro, Antonio Nunes Batista, de 40 anos, foi morto após policiais dispararem 24 vezes na Vila Dionísia, na Zona Norte; em 10 de outubro, Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, morreu após 45 disparos em Moema, na Zona Sul.
As duas ocorrências são investigadas separadamente pela Polícia Civil, que apura se os policiais agiram em legítima defesa ou cometeram excessos. A Secretaria da Segurança Pública informou que abriu um Inquérito Policial Militar, com acompanhamento da Corregedoria, e que a arma usada no caso de Pirituba foi apreendida para perícia.
Fonte: G1