A Justiça Federal do Rio de Janeiro aceitou, nesta sexta-feira (16), a denúncia do Ministério Público Federal contra Miguel Gutierrez, ex-CEO da Americanas, e outros 11 ex-executivos da varejista. Com a decisão, os 12 passam à condição de réus em uma ação penal que investiga uma fraude estimada em R$ 25 bilhões.
Apresentada em março de 2025, a denúncia descreve 28 supostas manobras fraudulentas e atribui aos investigados crimes como organização criminosa, manipulação do mercado de capitais, uso indevido de informações privilegiadas e falsidade documental.
Segundo o MPF, os executivos atuavam de forma coordenada para elevar ou manter a cotação das ações da companhia e obter vantagens indevidas. A acusação afirma que receitas fictícias foram incluídas nos balanços financeiros da varejista.
Informações fornecidas pelos ex-diretores Marcelo da Silva Nunes e Flávia Pereira Carneiro, que firmaram acordos de delação com a Justiça, foram usadas para fundamentar a denúncia. De acordo com a procuradoria, Gutierrez teria planejado, ordenado e executado a fraude, enquanto Anna Saicali, Timotheo Barros, Márcio Cruz e Carlos Padilha integrariam o núcleo central das decisões.
O MPF afirma que o esquema durou cerca de sete anos, de fevereiro de 2016 até a saída de Gutierrez da Americanas, em dezembro de 2022. A acusação aponta o uso de operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada para inflar os resultados da empresa e enganar instituições financeiras, auditorias e fornecedores.
O escândalo veio a público em janeiro de 2023, após Sergio Rial deixar o comando da Americanas nove dias depois de assumir o cargo. A companhia entrou em recuperação judicial no mesmo mês, passou por uma reestruturação, recebeu aporte de sócios de referência, reduziu a rede de lojas e vendeu ativos.
A Polícia Federal também investiga o caso. Em junho de 2026, uma fase da Operação Disclosure cumpriu nove mandados de busca e apreensão contra acionistas da empresa e executivos de instituições financeiras.
Em nota, a Americanas afirmou que não teve acesso à decisão e reiterou que foi vítima de uma fraude estruturada, atribuída pela empresa aos ex-executivos. O MPF e a 6ª Vara Federal Criminal não comentaram o caso, que tramita sob segredo de Justiça.
Fonte: O Globo