A Justiça Federal do Rio de Janeiro aceitou, em 16 de outubro de 2026, a denúncia do Ministério Público Federal contra Miguel Gutierrez, ex-CEO da Americanas, e outros 11 ex-executivos da varejista. A decisão abre ação penal sobre a fraude estimada em R$ 25 bilhões e coloca os acusados na condição de réus.
Apresentada em março de 2025, a denúncia descreve 28 manobras que, segundo o MPF, envolveram organização criminosa, manipulação do mercado de capitais, uso indevido de informações privilegiadas e falsidade documental. Nem todos os denunciados se tornaram réus, entre eles Márcio Cruz.
A procuradoria afirma que os executivos atuaram de forma coordenada para elevar ou manter a cotação das ações da companhia e obter vantagens indevidas, com o lançamento de receitas fictícias nos balanços. As informações prestadas pelos ex-diretores Marcelo da Silva Nunes e Flávia Pereira Carneiro, que firmaram acordos de delação, foram usadas para embasar a acusação.
Segundo o MPF, Gutierrez teria planejado, ordenado e executado a fraude, enquanto Anna Christina Saicali, José Timotheo de Barros e Carlos Eduardo Rosalba Padilha integrariam o núcleo central das decisões. O esquema teria durado de fevereiro de 2016 até dezembro de 2022, quando Gutierrez deixou a empresa.
A fraude, conforme a denúncia, envolvia operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada, usados para inflar os resultados da varejista e enganar instituições financeiras, auditorias e fornecedores. O caso levou a Americanas a entrar em recuperação judicial em janeiro de 2023.
As investigações também avançam em outras frentes. A Polícia Federal realizou duas fases da Operação Disclosure, e a etapa de junho de 2026 incluiu nove mandados de busca e apreensão relacionados a acionistas da companhia e executivos de instituições financeiras.
A Americanas informou que não teve acesso à decisão e afirmou ter sido vítima de uma fraude estruturada, atribuída pela empresa aos ex-executivos. O MPF e a 6ª Vara Federal Criminal não comentaram o caso, que tramita sob segredo de justiça.
Fonte: O Globo