Silvio Mendes é chato. É verdade. Peço desculpas ao prefeito pela sinceridade, mas ele também faz uso dela, sempre. E talvez seja por isso que Teresina tem essa relação de respeito com ele.
Aos 10 anos de idade, eu quebrei o braço. Fui levado à clínica dele, que, na época, tinha como sócio seu primo, também ortopedista, Osvaldo Mendes. Na sala, estávamos ele, o enfermeiro e eu. Dr. Silvio não poupou o rapaz de um sermão, na minha frente. Guardei na memória aquele dia.
Relembro essa história para dizer que, pelo muito pouco que conheço da personalidade do prefeito, ele parece carregar como lema a velha expressão “doa a quem doer”. E assim tem sido sua gestão. Doa a quem doer.
Atribuíram a derrota do senador Ciro Nogueira à falta de empenho do prefeito. Desde que entrou na política pelos braços de Firmino Filho e do quase extinto PSDB, Silvio Mendes não permite o uso da máquina pública em favor de correligionários. Nem Firmino teve permissão para isso. Quem reclama é porque não entendeu que, para Silvio, é “doa a quem doer”.
E assim, doendo em quem deve doer, parece que as coisas na Prefeitura de Teresina estão sendo colocadas em seu devido lugar. E a instituição está voltando, gradativamente, a ser preenchida pelo espírito de coisa pública.
Isso valeu para Ciro Nogueira. Deve valer para Jeová Alencar no futuro. E para o recém-eleito presidente da Câmara, Bruno Vilarinho. Com Silvio, é “doa a quem doer”. E é bom que seja assim.
Nos dias de hoje, em que políticos se prestam a dancinhas de TikTok para atrair atenção, como num espetáculo circense, é preciso que um ou outro se proponha a fazer política como ela deve ser: séria.