O governo Luiz Inácio Lula da Silva iniciou, nos últimos dias, a exoneração de indicados do Centrão em cargos federais nos estados após partidos do grupo apoiarem Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Em um dos casos, o Diário Oficial da União publicou por engano o nome de um aliado do deputado Arthur Lira (PP-AL).
O documento informou a demissão de Juliano Pereira de Oliveira da chefia do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) em Alagoas. Consultas ao próprio Diário Oficial e ao portal do órgão indicam, porém, que o alvo seria Juliano Ribeiro Balbino, ligado a Lira, que continua no cargo enquanto a exoneração não for formalizada.
O governo atribui a indicação de Balbino a Lira, que declarou apoio a Flávio durante o segundo turno. O deputado compartilhou imagens ao lado de aliados com adesivos da campanha do candidato do PL e não respondeu aos pedidos de manifestação.
Além do caso em Alagoas, foram exonerados indicados atribuídos aos deputados Marx Beltrão (PP-AL), Zé Haroldo Cathedral (União Brasil-RR) e Fred Costa (PRD-MG). Segundo relatos de governistas, outros nomes ligados a deputados e senadores podem ter as indicações revistas nos próximos dias.
Entre os exonerados estão Jully Beltrão Lima Siqueira Vasconcelos, irmã de Marx Beltrão e ex-superintendente do Patrimônio da União em Alagoas; Naicon Rodrigues de Araújo e Felipe de Almeida Pereira, ligados a cargos do Ministério da Agricultura e do Ministério da Pesca em Roraima; e Germanielle Gessica Pereira de Oliveira, que coordenava o Dnocs em Minas Gerais.
O ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, defendeu uma revisão dos cargos indicados por parlamentares que apoiam o adversário de Lula. Já o ministro da Educação e coordenador da campanha de Lula, Camilo Santana, negou que o governo adotaria esse tipo de medida e afirmou que parlamentares do PP e do União Brasil também apoiam o presidente.
Fonte: O Globo