Interlocutores do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciaram conversas com partidos do Centrão para discutir a governabilidade do quarto mandato e a participação dessas siglas na Esplanada. Segundo relatos, reuniões com representantes de PSD, Republicanos, MDB, Podemos e Progressistas estão previstas para os próximos dias.
Aliados de Lula afirmam que o Palácio do Planalto pretende exigir “fidelidade total” dos partidos que receberem espaço no primeiro escalão. A avaliação é que uma base menor, mas coesa, seria preferível a uma composição ampla sem alinhamento com o governo.
Na formação do ministério atual, Lula distribuiu pastas a partidos que se declararam independentes e nem sempre apoiaram o governo no Congresso. No segundo turno, siglas com representantes na Esplanada aderiram à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do presidente.
Essa postura gerou reclamações no Planalto e contribuiu para a exoneração de indicados políticos ligados a lideranças dessas legendas, incluindo aliados do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).
O presidente do PT, Edinho Silva, disse ao GLOBO que as conversas serão feitas com as direções partidárias, e não apenas com alas das siglas. “Os partidos que queiram estar conosco têm que ter lealdade a esse projeto liderado pelo presidente Lula”, afirmou.
Também estão no radar conversas com PSDB, Avante e União Brasil. O governo aposta ainda na proximidade com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para buscar apoio às propostas do próximo governo.
Dirigentes petistas reconhecem a dificuldade de obter apoio unânime, já que muitos partidos têm representantes de oposição a Lula. A busca por uma base deve ganhar força diante do crescimento do PL no Congresso, que, segundo o texto, terá 121 deputados e 28 senadores.
A federação formada por PT, PV e PCdoB, somada a PSOL, Rede, PSB e PDT, reúne 124 deputados e 15 senadores. Aliados de Lula também defendem a abertura de ministérios instalados no Palácio do Planalto a partidos que apoiaram o presidente no segundo turno.
Fonte: O GLOBO