A cientista política Marta Arretche, professora do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que o eleitorado de Flávio Bolsonaro (PL) não busca apenas derrotar o PT, mas também aderir a uma plataforma associada ao bolsonarismo.
Em entrevista, Arretche avaliou que a disputa presidencial está marcada por forte polarização e empate técnico. Pesquisa Datafolha divulgada em 24 de setembro aponta Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Segundo a professora, acusações contra candidatos tendem a perder força entre eleitores polarizados, que podem considerar o adversário igualmente problemático ou avaliar que seu candidato está mais próximo de suas preferências para o país.
Arretche disse que a adesão a Flávio envolve pautas como o endurecimento na segurança pública, a redução do tamanho do Estado, a influência de valores religiosos na política e a oposição a avanços na agenda LGBT. Para ela, o eleitor identifica no senador uma candidatura capaz de representar esse conjunto de ideias.
A cientista política afirmou que o antipetismo, isoladamente, não explica a consolidação da candidatura de Flávio. Na avaliação dela, se a rejeição ao PT fosse suficiente, candidatos como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que também se apresentam como antipetistas, teriam conquistado uma parcela maior do eleitorado.
Arretche também considerou provável que a ligação familiar com Jair Bolsonaro tenha reforçado a legitimidade de Flávio entre os apoiadores do ex-presidente. Ela avaliou ainda que uma eventual derrota eleitoral de Flávio não significaria o fim do bolsonarismo como projeto político.
Fonte: O Globo