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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

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CULTURA

Romance de Thélyson Orélien é alvo de acusação de uso de IA na França

Escritor nega ter usado IA em romance premiado na França e denuncia ataques racistas após acusação baseada em detector de textos.

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O escritor canadense de origem haitiana Thélyson Orélien nega ter usado inteligência artificial para escrever o romance C’était ça ou mourir, que se tornou um fenômeno editorial na França e venceu o Prêmio de Romance Fnac de 2026.

A acusação surgiu em 21 de setembro, quando uma conta anônima na rede X, chamada “Balance ton Claude”, afirmou ter submetido trechos do livro ao detector Pangram. Segundo o perfil, o programa classificou grande parte do texto como produzido por inteligência artificial.

O romance foi publicado no Canadá pela editora Boréal em 9 de março e lançado na França pela Grasset em 19 de agosto. A obra já vendeu mais de 35 mil exemplares e aparece nas seleções iniciais de prêmios como Goncourt, Renaudot e Femina.

Os resultados de detectores de IA, porém, não comprovam sozinhos como um texto foi produzido. Reportagens sobre o caso também registraram que textos anteriores de Orélien foram classificados como humanos pelo Pangram, enquanto passagens do romance receberam índices elevados de probabilidade de uso de IA.

Em declarações à imprensa francesa, o autor rejeitou a acusação e afirmou que repetições, imagens e ritmos presentes no livro fazem parte de sua voz literária e de suas referências haitianas e caribenhas. Orélien também disse ter sofrido ataques racistas desde que chegou à França e informou que reúne documentos com suas editoras para contestar as alegações.

A Grasset condenou declarações que considera maliciosas e afirmou que elas atingem o escritor. A Boréal, por sua vez, declarou que tomou conhecimento das acusações, mas mantém a confiança no trabalho do autor. O Pangram não se pronunciou publicamente sobre o caso.

O livro acompanha a trajetória de Jonas Dorléon, um professor haitiano que deixa o país e atravessa diferentes territórios das Américas em busca de segurança e de uma nova vida. A controvérsia ocorre durante a temporada de premiações literárias na França e reacendeu o debate sobre os limites e a confiabilidade de ferramentas usadas para identificar textos gerados por IA.

Fonte: g1

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