O escritor quebequense de origem haitiana Thélyson Orélien nega ter usado inteligência artificial para escrever o romance C’était ça ou mourir, sucesso da temporada literária francesa que vendeu cerca de 35 mil exemplares e venceu o Prêmio do Romance Fnac de 2026.
A acusação surgiu em 21 de setembro, após uma conta anônima na rede X, chamada “Balance ton Claude”, afirmar que havia submetido trechos do livro ao detector Pangram. Segundo a publicação, as análises indicaram índices próximos de 100% de texto produzido por inteligência artificial.
O romance foi publicado no Canadá pela editora Boréal, em março, e chegou à França em 19 de agosto, pela Grasset. A obra também aparece nas seleções de importantes prêmios literários franceses, como Goncourt, Femina, Médicis e Renaudot, além de ter direitos vendidos para mais de 20 países.
Os resultados do Pangram, porém, não comprovam por si só que o livro tenha sido escrito com IA. Testes divulgados por veículos de imprensa franceses apontaram resultados diferentes entre ferramentas de detecção, enquanto textos antigos de Orélien, publicados antes da popularização da IA generativa, foram classificados como humanos.
O autor afirma que as repetições, imagens e construções rítmicas apontadas como sinais de texto automatizado fazem parte de sua voz literária e de tradições haitianas e caribenhas. Em entrevista ao jornal Libération, ele também disse sofrer ataques racistas desde que chegou à França e afirmou estar reunindo, com os editores, elementos para demonstrar que escreveu a obra.
A Grasset declarou manter confiança no escritor e condenou comentários maliciosos que, segundo a editora, ferem sua trajetória. A Boréal também afirmou que não trata as alegações com leviandade, mas que sua confiança no trabalho de Orélien permanece inabalada.
Até 23 de setembro de 2026, não havia prova conclusiva de que o romance tenha sido redigido com auxílio de inteligência artificial. A controvérsia ocorre enquanto a obra permanece no centro da disputa pelos principais prêmios literários da França.
Fonte: g1