Aliados da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que a rejeição da Polícia Federal à delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro diminui os efeitos do caso Master na eleição, embora aguardem desdobramentos futuros. No entorno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), há percepção semelhante: a suspensão das negociações é vista como oportunidade para ‘virar a página’ após as revelações sobre a relação do parlamentar com Vorcaro.
Ambos os grupos esperam que a Procuradoria-Geral da República também rejeite o acordo com Vorcaro. Mesmo assim, a campanha de Lula acredita que o caso pode ainda afetar o ambiente político e o processo eleitoral, embora com menor impacto que um acordo homologado. Os aliados petistas temem que Vorcaro tente envolver o PT no escândalo em negociações com a PGR, dada sua situação jurídica.
Nos últimos meses, o governo e a campanha de Lula vêm tentando se dissociar do escândalo do Master. Antes do aumento da relação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro, uma pesquisa da Quaest revelou que 46% dos entrevistados acham que o escândalo prejudicou a imagem do governo Lula, assim como a de Bolsonaro, o STF, o Congresso e o Banco Central.
Por sua vez, Flávio Bolsonaro e seu entorno têm se preparado para o cenário mais adverso, embora considerem improvável uma citação direta à sua pessoa. O temor é que o caso permaneça no centro das atenções por tempo indeterminado, com novas revelações e investigações. A rejeição da PF à delação reduz o risco de uma escalada rápida da crise, mas a situação ainda preocupa na campanha.
O episódio ocorre em meio a debates internos do PL sobre o impacto da crise na viabilidade eleitoral de Flávio. Dirigentes do partido trabalham com um prazo de cerca de 15 dias para avaliar se a ameaça ao candidato será suficiente para comprometer sua candidatura. Em paralelo, há conversas sobre nomes de uma eventual alternativa à candidatura de Bolsonaro, como Michelle Bolsonaro, Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Parke setores do mercado financeiro, lideranças evangélicas e integrantes do Centrão adotam postura de cautela em relação ao senador.
Politicamente, aliados minimizam o caso. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), declarou que é fundamental que Vorcaro revele toda a verdade, afastando qualquer favoritismo ao senador.