O set de filmagem do longa-metragem sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), financiado em parte pelo banqueiro Daniel Vorcaro, foi alvo de fiscalização sindical após relatos de atrasos em pagamentos, comida estragada e agressões. A informação foi divulgada pelo jornal 'O Globo'.
Cerca de 14 figurantes que atuaram na produção, intitulada "Dark Horse", acionaram judicialmente os produtores. Eles alegam ter sido submetidos a condições de trabalho inadequadas e humilhantes, incluindo restrições de acesso a banheiros e jornadas extenuantes. Os contratados também relataram ter sido surpreendidos com o tema do filme apenas durante as gravações.
As denúncias foram corroboradas pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo (Sated-SP), que enviou fiscais ao local no ano passado. Segundo relatos, alguns figurantes críticos a Bolsonaro teriam exagerado suas atuações para tentar aparecer menos nas cenas.
O filme, estrelado pelo ator americano Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro, retrata o ex-presidente como um "improvável vencedor" das eleições e busca o público internacional. Imagens vazadas das filmagens mostram Caviezel encenando o episódio da facada sofrida por Bolsonaro em 2018.
O longa conta ainda com os atores internacionais Lynn Collins e Esai Morales, além do brasileiro Felipe Folgosi. O diretor Cyrus Nowrasteh é conhecido por filmes com temáticas religiosas.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) teria solicitado a Daniel Vorcaro, do banco Master, ajuda para novos pagamentos do filme, cujos acordos já somavam R$ 62 milhões. O Master não figura formalmente como patrocinador. Em mensagens de áudio, Flávio expressa preocupação com o andamento do projeto.