O míssil inflável exibido na Avenida Paulista, em São Paulo, durante o ato de apoio a Flávio Bolsonaro (PL) gerou mais repercussão nas redes sociais do que o disparo feito pelo deputado estadual Marcelo Aguiar (PL-SP) em uma boate, na madrugada de segunda-feira (19). Entre domingo (18) e a manhã de segunda, o episódio do míssil somou 161 mil menções e 4,9 milhões de interações, segundo levantamento da consultoria Bites.
O caso envolvendo Aguiar teve 119 mil menções e 3,8 milhões de interações no mesmo período. A manifestação bolsonarista na Paulista alcançou 447 mil menções e 23,7 milhões de interações, enquanto o debate entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro registrou 9,66 milhões de menções e 140 milhões de interações.
O artefato inflável trazia a frase em inglês “Trump nuke Brazil”, que pode ser traduzida como “Trump, bombardeie o Brasil”. Cientistas políticos ouvidos pelo jornal O GLOBO avaliaram que as imagens podem prejudicar Flávio entre eleitores indecisos.
Segundo André Eler, diretor da Bites, o episódio ficou restrito principalmente à repercussão de perfis de esquerda e não recebeu uma reação significativa de justificativa por parte da direita nas redes sociais. Entre os perfis que tiveram maior engajamento ao abordar o assunto estão os do deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL), do PT Brasil, da deputada Erika Hilton (PSOL), da vereadora Liane Cirne (PT) e da deputada Tabata Amaral (PSB), além de veículos de imprensa.
Flávio Bolsonaro mencionou o caso durante o debate na Band, após ser questionado por Lula. O senador afirmou que os responsáveis por levar o objeto à Paulista seriam identificados e responderiam pelos atos. A campanha do candidato foi procurada para informar se havia identificado os chamados “infiltrados” ou registrado denúncia, mas não respondeu.
Durante o ato, a organização pediu que os participantes guardassem bandeiras de outros países. Havia símbolos dos Estados Unidos e de Israel entre os presentes, além de vendedores ambulantes que comercializavam bonés de apoio ao presidente norte-americano Donald Trump.
Para o cientista político Rafael Cortez, doutor pela Universidade de São Paulo (USP) e sócio da Tendência Consultoria, Flávio demonstrou preocupação em não associar sua campanha à agenda de Eduardo Bolsonaro e às tarifas aplicadas pelos Estados Unidos ao Brasil. A pesquisadora Carolina Botelho, doutora em ciência política e integrante do INCT/SANI/CNPq, afirmou que a associação com os Estados Unidos pode influenciar eleitores indecisos ou eleitores de direita menos alinhados ao bolsonarismo.
O episódio ocorreu no mesmo fim de semana em que Marcelo Aguiar foi detido após um disparo de arma de fogo durante uma confusão na casa noturna Santo Cupido, no Itaim Bibi, Zona Sul de São Paulo. O apresentador Fred Bruno, do Globo Esporte e integrante do canal Desimpedidos, foi atingido de raspão no pé, segundo o relato publicado na reportagem.
Testemunhas disseram que Aguiar apresentava sinais de embriaguez, incomodava frequentadores e teria importunado mulheres no estabelecimento. Os relatos apontam que ele teria segurado as mãos e encostado em mulheres, o que teria provocado a reação de outros clientes e iniciado uma discussão.
Fonte: O GLOBO