O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, indicou na sexta-feira (8) que um eventual governo seu poderia se estender por oito anos. A declaração, feita em Santa Catarina, diverge de posicionamentos anteriores do senador, que sinalizava apoio a um mandato único. A mudança de discurso coincide com uma estratégia de aproximação com o Centrão e a direita, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
"O meu sonho, e o que eu vou realizar, é acabar o governo, Jorginho [Mello, governador de SC], seja daqui a quatro, daqui a cinco, daqui a oito anos, onde a gente vai poder bater o peito e falar: ‘Menos pessoas dependendo de políticos para levar comida para dentro de casa e levar dignidade para as suas famílias", disse o senador em evento.
No sábado (9), em Florianópolis, Flávio Bolsonaro minimizou a declaração, alegando "distorção". "Eu sou contra a reeleição, mas eu acho quatro anos muito pouco para um mandato só. Isso vai ser uma discussão que vai ter no Congresso. Eu não quero a reeleição. Vou trabalhar para que a PEC seja aprovada. Eu acredito que ela vai ser aprovada, mas convenhamos, quatro anos acho muito pouco para um mandato só para tanta coisa que o Brasil precisa arrumar", declarou.
A proposta de Flávio Bolsonaro, apresentada em fevereiro, visava restringir a reeleição para presidente, retomando o modelo anterior a 1997. O senador argumentou que o sistema atual fomenta um "estado permanente de eleição", prejudicando decisões administrativas e a alternância de poder.
A fala ocorreu durante o lançamento da chapa de reeleição do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL). O evento contou com a presença de Carlos Bolsonaro (PL-SC) e da deputada federal Caroline de Toni (PL-SC), além de Adriano Silva, ex-prefeito de Joinville.
Durante o evento em Florianópolis, Flávio Bolsonaro também criticou a suspensão da Lei da Dosimetria pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. "Parece, mais uma vez, um jogo combinado; mais uma vez é a democracia que fica abalada. É uma decisão do Congresso Nacional, em sua grande maioria, defendendo a lei da anistia, que, numa canetada monocrática, mais uma vez, o ministro do Supremo revoga a decisão de nós, os verdadeiros representantes do povo. Mas o Brasil parece que está se acostumando com isso, mas nós não vamos nos acostumar", afirmou.
O senador acusou Alexandre de Moraes de ter feito um "jogo combinado" com o relator do texto no Congresso, o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP). "Eu acho estranho, porque foi o próprio Alexandre de Moraes que escreveu o texto que foi aprovado no Congresso Nacional. Foi ele quem interditou o debate no Legislativo, tanto na Câmara quanto no Senado, porque nós queríamos a anistia ampla, geral e irrestrita. E, estranhamente, o relator na Câmara tem muita proximidade com o ministro, porque parece que ele recebia diretamente dele, perguntando o que poderia ou não estar nesse texto da dosimetria", concluiu.
Fonte: O Globo