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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

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ECONOMIA

PL de minerais críticos: municípios e especialistas alertam para riscos

Especialistas e municípios mineradores criticam PL sobre minerais críticos aprovado na Câmara. Preocupação central é a falta de incentivo à industrialização, mantendo o Brasil como exportador de matéria-prima.

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PL de minerais críticos: municípios e especialistas alertam para riscos

Especialistas e a Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig Brasil) criticam o projeto de lei (PL 2780/2024) que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), aprovado na Câmara dos Deputados. A principal preocupação é que a proposta, ao contrário do defendido por mineradoras privadas, não impulsione a industrialização desses materiais no Brasil, mantendo o país como exportador de matéria-prima.

O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) avalia que o PL aprofunda o papel do Brasil como exportador de commodities, confiando excessivamente na "mão invisível do mercado" para o desenvolvimento industrial. O Inesc aponta como problemas o acesso preferencial ao Fundo Clima, o uso de recursos públicos para minerais não críticos, incentivos à extração e a excessiva financeirização.

A Amig Brasil, representando 63 municípios mineradores, expressa preocupação com a tramitação apressada do PL e a exclusão dos entes que sofrem os impactos da mineração. A associação questiona a falta de mecanismos de industrialização local e a fragilidade da fiscalização e estrutura regulatória do país.

Apesar das vastas reservas de terras raras, o Brasil produz menos de 1% do consumo global. A posição geográfica do país é vista como vantagem estratégica na disputa global por esses materiais essenciais para tecnologia, defesa e transição energética.

O PL prevê a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), com recursos públicos e privados, e benefícios fiscais. Especialistas temem que esses fundos sejam direcionados para a extração em vez da industrialização.

O acesso facilitado ao Fundo Clima e mecanismos de financeirização, como contratos de streaming e royalties privados, também são criticados por poderem desviar recursos de metas climáticas e prejudicar a soberania nacional no fornecimento de minerais críticos.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) é apontada como subfinanciada e sem capacidade para fiscalizar e regular adequadamente as novas obrigações impostas pelo PL.

O texto segue para análise do Senado.

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