Representantes do Parlamento Europeu expressaram otimismo quanto à aprovação final do acordo comercial com o Mercosul. A declaração ocorreu após reunião com o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta quarta-feira (6). O encontro abordou os próximos passos do tratado, que visa criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.
O acordo, em vigor provisoriamente desde a semana passada, já zerou tarifas de importação para mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Bens industriais, alimentos e matérias-primas são os principais beneficiados nesta fase inicial.
A aplicação definitiva do tratado depende de análise do Tribunal de Justiça da União Europeia e posterior ratificação pelo Parlamento Europeu, um processo que pode levar até dois anos. "Esperamos que a decisão do Tribunal de Justiça e, depois, a aprovação ou ratificação que se seguirá no Parlamento Europeu sejam positivas. Estou crendo que sim", afirmou o deputado português Hélder Sousa Silva, presidente da Delegação para Relações com o Brasil do Parlamento Europeu.
Geraldo Alckmin destacou o equilíbrio do acordo e as salvaguardas para os setores produtivos. "O multilateralismo é importante e ganha a sociedade, que passa a ter acesso a produtos de melhor qualidade, com preços mais acessíveis, além do estímulo à competitividade. O acordo foi muito bem elaborado e tem salvaguardas. É um ganha-ganha", disse.
O pacto envolve 31 países, 720 milhões de consumidores e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões. As cotas para produtos com tarifas reduzidas ou zeradas abrangem uma pequena parcela do comércio total, indicando que a maior parte das trocas ocorrerá sem limites de quantidade e com eliminação integral de tarifas.