O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita a Casa Branca nesta quinta-feira (7), marcando sua quinta ida ao local. Diferente das ocasiões anteriores, o encontro com o presidente Donald Trump ocorre em um contexto político interno e bilateral mais complexo para o petista.
Lula, que já se reuniu com George W. Bush por três vezes e com Barack Obama uma vez, busca fortalecer sua posição utilizando o encontro com Trump. Sua popularidade em 2025 cresceu após uma reação a medidas comerciais americanas.
A relação com os republicanos, especialmente com Bush, foi marcada por uma "química" positiva, segundo relatos. Bush teria expressado admiração por Lula, visto inicialmente com ressalvas nos EUA.
A agenda desta visita inclui discussões sobre segurança pública, o sistema de pagamentos Pix e minerais críticos, além de questões de tensão internacional.
Internamente, Lula enfrenta desafios. O Senado rejeitou recentemente um indicado do presidente para o Supremo Tribunal Federal, algo inédito em mais de cem anos. Pesquisas de avaliação de governo também indicam queda em sua aprovação.
"A relação bilateral com os Estados Unidos tem um grande impacto no cenário interno. É impossível analisar essa reunião fora do contexto eleitoral", avalia Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da FGV.
Em mandatos anteriores, Lula desfrutou de conjunturas mais favoráveis. Sua primeira ida à Casa Branca, antes mesmo de assumir em 2003, foi articulada em parceria com o governo Fernando Henrique Cardoso.
Na época, consolidou-se uma relação inesperada entre Bush e Lula, então visto como um esquerdista radical.
A quarta visita, em 2009, ocorreu durante o segundo mandato de Lula, com alta aprovação popular (cerca de 80%) e ao lado de Obama, que o chamou de "o cara".
Em comparação, outros presidentes brasileiros tiveram menos visitas à Casa Branca: Fernando Henrique Cardoso (duas), Dilma Rousseff (duas), Fernando Collor (uma) e Jair Bolsonaro (uma).
Stuenkel aponta que a reunião atual visa não só estabilizar relações comerciais e combater o crime organizado, mas também pode servir para diminuir o risco de interferência americana nas eleições brasileiras. Uma reunião produtiva pode reforçar a imagem de Lula como um líder experiente capaz de dialogar com diferentes espectros políticos.
Fonte: G1