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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

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IA que engana: brasileiro não consegue identificar 'deepfakes' apesar de altamente exposto a vídeos sintéticos

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IA que engana: brasileiro não consegue identificar 'deepfakes' apesar de altamente exposto a vídeos sintéticos

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Apesar da alta exposição a vídeos sintéticos nas redes sociais, a maioria dos brasileiros falha em identificar deepfakes, conteúdos realistas gerados por inteligência artificial (IA). Uma pesquisa da Veriff revelou que 80% dos brasileiros já se depararam com deepfakes, superando a média global de 60%. Contudo, apenas 29% conseguem detectar um vídeo falso, e 35% identificam corretamente um vídeo real. Esse descompasso evidencia o rápido avanço da tecnologia e os desafios crescentes para autoridades e reguladores, especialmente em um ano eleitoral.

Andrea Rozenberg, diretora de mercados emergentes da Veriff, explica que os sinais visuais antigamente usados para identificar deepfakes, como dedos a mais ou características anômalas, não são mais presentes em conteúdos recentes. A evolução de geradores de vídeo como Seedance 2.0 da ByteDance e Nanobanana 2 do Google intensifica o problema, com modelos abertos facilmente acessíveis a criminosos. \"Com duas fotos, você consegue gerar uma simulação da pessoa. E a gente já não sabe mais dizer o que é real. O olho humano não sabe discernir\", afirma Rozenberg.

A pesquisa da Veriff testou a capacidade dos participantes em distinguir entre imagens e vídeos reais e falsos, incluindo aqueles com troca de rostos. A falta de soluções tecnológicas universais agrava o cenário. Ferramentas de detecção de deepfakes de grandes empresas, como Google e OpenAI, são específicas para suas próprias IAs e não funcionam de forma cruzada. A atualização constante dos modelos de detecção também se mostra um desafio técnico, com detectores potencialmente incapazes de reconhecer novas gerações de IAs.

A preocupação com a tecnologia é alta entre os brasileiros: 87% temem fraudes e golpes de identidade, e 81% preveem impacto em conteúdos políticos. Esses medos são confirmados por dados da Polícia Federal, que indicam que 42,5% das fraudes financeiras no Brasil utilizam IA, incluindo deepfakes. Na esfera política, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) endureceu regras para o uso de IA em campanhas, exigindo identificação clara de conteúdos manipulados e proibindo o uso nos dias que antecedem e sucedem as eleições. Plataformas como Instagram e TikTok já enfrentam a disseminação de conteúdos sintéticos, com casos como o do avatar 'Dona Maria', um perfil de IA crítico ao governo Lula, que obteve milhões de visualizações.

O Brasil também se destaca na criação de conteúdos com IA, com 59% dos entrevistados brasileiros afirmando já ter criado imagens ou vídeos com a tecnologia, índice superior ao de países como Estados Unidos e Reino Unido. Para evitar ser enganado, a Veriff sugere verificar a procedência do material e desconfiar da origem. Gabriel Barbabela, chefe de produto da Veriff, recomenda também verificar a urgência em demandas financeiras e usar "palavras-senha" em conversas sensíveis para garantir a autenticidade.

Fonte: O Globo", "excerpt": "Pesquisa aponta que maioria dos brasileiros não detecta vídeos falsos criados por IA, gerando preocupações com fraudes e desinformação política.", "tags": "inteligência artificial, deepfake, desinformação, IA, tecnologia, Brasil, Veriff, O Globo" } ```

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