Representantes do Parlamento Europeu expressaram confiança na aprovação final do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. A delegação reuniu-se com o presidente em exercício do Brasil, Geraldo Alckmin, em Brasília, para discutir os próximos passos do tratado, que visa criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
Apesar de o acordo ter entrado em vigor provisoriamente, sua ratificação final depende da análise do Tribunal de Justiça da União Europeia, um processo que pode levar até dois anos. O deputado português Hélder Sousa Silva, presidente da Delegação para Relações com o Brasil do Parlamento Europeu, mostrou-se otimista: "Esperamos que a decisão do Tribunal de Justiça e, depois, a aprovação ou ratificação que se seguirá no Parlamento Europeu sejam positivas. Estou crendo que sim".
O pacto já zerou tarifas de importação para mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa, beneficiando cerca de 5 mil produtos, especialmente os industriais. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que quase 93% dos bens com tarifa zero inicial são de origem industrial, indicando ganhos a curto prazo para o setor.
Geraldo Alckmin destacou o equilíbrio do acordo, que abrange 31 países, 720 milhões de consumidores e um PIB combinado de mais de US$ 22 trilhões. "O multilateralismo é importante e ganha a sociedade, que passa a ter acesso a produtos de melhor qualidade, com preços mais acessíveis, além do estímulo à competitividade. O acordo foi muito bem elaborado e tem salvaguardas. É um ganha-ganha", declarou.
O tratado prevê cotas para quantidades limitadas de importação e exportação de algumas mercadorias com tarifas reduzidas ou zeradas, mas estas abrangem uma pequena parcela do comércio total entre os blocos, garantindo que a maior parte das trocas ocorra com tarifas significativamente menores ou inexistentes.