Apesar de estarem imersos em conteúdos digitais, a maioria dos brasileiros não consegue distinguir vídeos falsos gerados por inteligência artificial (IA), os chamados deepfakes. Uma pesquisa da Veriff revela que 80% dos brasileiros já se depararam com deepfakes, superando a média global de 60%. Contudo, apenas 29% afirmam identificar vídeos falsos, enquanto 35% reconhecem os verdadeiros. Esse descompasso evidencia o rápido avanço da tecnologia e os desafios crescentes para combater a desinformação, especialmente em anos eleitorais.
Especialistas apontam que os deepfakes evoluíram a ponto de não apresentarem mais os erros grosseiros, como dedos a mais ou características físicas distorcidas, que antes facilitavam a identificação. As novas ferramentas de IA, como Seedance 2.0 da ByteDance e Nanobanana 2 do Google, impressionam pelo realismo, dificultando a diferenciação pelo olho humano. A capacidade de gerar simulações realistas a partir de poucas fotos agrava o problema, tornando a distinção entre real e falso cada vez mais complexa.
A falta de soluções tecnológicas universais para detecção de deepfakes também é um obstáculo. Ferramentas existentes geralmente funcionam apenas para IAs de suas próprias desenvolvedoras, e a constante evolução dos modelos exige atualizações frequentes, tornando a detecção um desafio técnico contínuo.
A preocupação com a tecnologia é alta entre os brasileiros: 87% temem fraudes e golpes, e 81% preveem impacto na política. Esses receios se confirmam com dados da Polícia Federal, que indicam que 42,5% das fraudes financeiras no Brasil utilizam IA, incluindo deepfakes. No âmbito político, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já estabeleceu regras mais rígidas para o uso de IA em campanhas, exigindo a identificação de conteúdos manipulados e proibindo sua divulgação em períodos próximos às eleições.
Plataformas como Instagram e TikTok já exibem grande quantidade de conteúdos sintéticos. A circulação desses vídeos em aplicativos de mensagem, onde a fiscalização é mínima, intensifica o problema. Um caso recente envolveu um avatar de IA que criticava o governo, alcançando milhões de visualizações antes de ser derrubado.
O cenário é agravado pelo fato de que brasileiros também criam mais conteúdos de IA do que a média mundial, com 59% dos entrevistados afirmando ter gerado imagens ou vídeos com IA. Diante disso, a solução para evitar ser enganado reside em métodos mais analógicos: verificar a fonte do material, desconfiar de conteúdos que parecem reais apenas pelo movimento, checar a urgência em demandas financeiras e estabelecer palavras-senha para conversas sensíveis, adicionando camadas de segurança pessoal.