Ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) se desentenderam em plenário nesta segunda-feira (4/5/2026) após uma fala do presidente da Corte sobre juízes "vermelhos e azuis" viralizar nas redes sociais. A polêmica envolveu o presidente Vieira de Mello Filho e o ministro Ives Gandra Filho, com trocas de acusações sobre ataques "internos" à Justiça do Trabalho.
A discussão, que durou mais de trinta minutos, começou após a repercussão de um vídeo em que Vieira de Mello Filho comentava uma divisão entre juízes "legalistas" ou "ativistas". O presidente do TST afirmou que a metáfora surgiu a partir de um curso para advogados que classificava os magistrados por essas "cores".
"Não tem juiz azul nem vermelho. Sou do tempo em que todos nós, com os nossos diferentes pensamentos, trabalhamos para o desenvolvimento, fortalecimento e crescimento da Justiça do Trabalho", declarou Vieira de Mello Filho, classificando o recorte viralizado como "maldoso".
O presidente do TST disse ainda que, ao se referir à sua "causa", buscava defender a instituição. "Como presidente do Tribunal, não poderia ficar omisso diante de curso de como advogar nessa corte. Se isso não é um conflito ético, não sei mais o que seria", afirmou.
Vieira de Mello Filho citou Ives Gandra Filho, indicando que já havia conversado com o colega antes da declaração pública. "Tenho a prova documentada de onde começou isso. E tenho certeza que Ives na sua dignidade não vai dizer que não começou nesse evento de como atuar no TST", disse.
Em resposta, Ives Gandra Filho admitiu a existência de uma "divisão interna" no tribunal sobre a visão do direito do trabalho. "Há ministros que têm visão mais liberal e mais intervencionista; há uns mais legalistas, outros mais ativistas. Tudo isso é uma realidade que vemos diuturnamente no tribunal", pontuou.
O ministro Ives Gandra Filho classificou-se como legalista e criticou o que chamou de "juízo moral" de Vieira de Mello Filho sobre a divisão dos magistrados. "Seremos maiores e melhores se tivermos a humildade de reconhecer onde erramos", declarou.
Vieira de Mello Filho rebateu, questionando "qual o interesse de querer destruir a Justiça do Trabalho" e criticou o colega por afirmar que a competência da Justiça do Trabalho "já estaria garantida e que seria limitada". "Esse tribunal é plural. Sempre teve divergência interna. Só que as divergências internas eram construídas com ideias e argumentos, e não com rótulos", afirmou o presidente do TST.
O presidente do TST se autodeclarou "cor de rosa", simbolizando a mistura de "azul com vermelho". "Ninguém aqui tem rótulo. Com que direito vossa excelência pode rotular alguém dessa forma?", questionou.
Ives Gandra Filho, por sua vez, mencionou que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já reclamaram que o TST "não respeita" a jurisprudência da Corte máxima em matéria trabalhista. "Eu também gostaria de ser respeitado nesse sentido. Tenho a minha visão, respeito a dos demais. Agora quero ser respeitado", disse.
A ministra Maria Cristina Peduzzi interveio, criticando o bate-boca e afirmando que "ninguém aqui está comprometido com interesses e causas". "Se tiver que responder pelos atos praticados, cada um fará e responderá por si", pontuou.