Ir para o conteúdo

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

DIREITOS TRABALHISTAS

Trabalhadores exigem fim da escala 6x1 e mais direitos em ato unificado

Trabalhadores, aposentados e ativistas foram às ruas em diversas cidades brasileiras, incluindo Brasília, para reivindicar o fim da escala 6x1 e mais direitos trabalhistas.

Compartilhe
WhatsApp
Trabalhadores exigem fim da escala 6x1 e mais direitos em ato unificado

Em manifestações por todo o Brasil nesta sexta-feira, 1º de maio, Dia Internacional do Trabalhador, sindicatos e trabalhadores reivindicaram o fim da escala de trabalho 6x1, que impõe seis dias de labuta para apenas um de descanso, sem redução salarial. O ato unificado, organizado por sete centrais sindicais do Distrito Federal, reuniu aposentados, estudantes e ativistas em Brasília, com discursos e atrações culturais.

Cleide Gomes, 59, participou do evento com a família para cobrar direitos trabalhistas e relatou ilegalidades contra colegas. "Conheço pessoas que, agora, estão no trabalho, pois o patrão fala que hoje não é feriado, mas ponto facultativo. As coitadas não vão receber hora extra porque não sabem de seus direitos," desabafou.

O movimento argumenta que a redução da jornada de trabalho, ao contrário do que defendem empresas, não prejudica a economia e ainda aumenta a produtividade. Rodrigo Rodrigues, presidente da CUT-DF, criticou o que chamou de "terrorismo" de algumas empresas e afirmou que "o descanso é uma necessidade humana".

A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas, que também compareceu ao ato, ressaltou a importância da luta diária por melhores condições. "A gente sempre busca o melhor para a população trabalhadora," disse.

Bibliotecárias aprovadas em concurso público e ainda sem nomeação, Kelly Lemos e Ellen Rocha, lutam pela valorização das carreiras da educação. "As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas", defendeu Elen Rocha.

A escala 6x1 foi duramente criticada por Ana Beatriz Oliveira, 21, estagiária de psicopedagogia. Ela relatou jornadas exaustivas em empregos anteriores que prejudicaram sua formação e saúde. "Essa tem que acabar para ontem," defendeu. A aposentada Ana Campania classificou a escala como "escala da escravidão" e exigiu o fim da precarização da mão de obra.

O sindicalista Geraldo Estevão Coan destacou a necessidade de incluir as mulheres na luta, cobrando o fim da jornada dupla e tripla que enfrentam. "Nós, os maridos, também temos que nos conscientizar de que não é só a mulher que precisa cuidar da casa," afirmou.

O ato em Brasília foi marcado por um breve confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro, que levaram um boneco do ex-presidente. A Polícia Militar do Distrito Federal interveio rapidamente e restabeleceu a ordem.

Leia também