A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, defende o fim da escala de trabalho 6x1, com apenas um dia de folga semanal, como uma medida essencial para aumentar o acesso das mulheres ao mercado de trabalho. Segundo a ministra, a mudança permitirá que elas dediquem mais tempo à saúde, às relações familiares e comunitárias.
A declaração foi feita em entrevista exclusiva à Agência Brasil, após um evento no BNDES, no Rio de Janeiro. A discussão ocorre enquanto o Congresso Nacional analisa um projeto de lei que propõe a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado, sem corte salarial. O governo federal pediu urgência na tramitação da proposta. A ministra também ressaltou que a fim da escala 6x1 é um avanço histórico.
Lopes destacou que as mulheres são as mais prejudicadas pela escala 6x1, devido à sobrecarga histórica de duplas e triplas jornadas, incluindo trabalho remunerado e não remunerado. Ela acredita que o fim dessa escala, aliado à igualdade salarial, abrirá mais oportunidades para as mulheres, especialmente para as negras e periféricas.
Dados recentes do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que as mulheres recebem, em média, 21,3% menos que os homens no setor privado. A Lei nº 14.611/2023 busca combater essa desigualdade, exigindo medidas de equiparação salarial em empresas com 100 ou mais empregados.
A ministra também previu reflexos positivos para as empresas, como a redução do absenteísmo, e para a economia em geral, com mais tempo para atividades pessoais, empreendedorismo e participação comunitária.
Enquanto estudos setoriais divergem sobre os impactos econômicos, com a CNI prevendo perdas no PIB e a CNC apontando aumento de custos e inflação, o IPEA sugere que o mercado de trabalho tem capacidade de absorver a redução da jornada.
Grupos de mulheres já articulam pressão no Congresso para aprovar o fim da escala 6x1. Lopes se mostrou otimista quanto à conquista desse direito em breve.
O evento contou com o anúncio de R$ 80 milhões do BNDES para iniciativas que apoiam mulheres empreendedoras e o trabalho de cuidado, como cozinhas comunitárias e cuidadotecas. A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, ressaltou a ligação entre o fim da escala 6x1 e a melhoria da qualidade de vida das mulheres.