O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (30) o fim da escala de trabalho 6x1 como um "passo histórico" para o Brasil. O projeto de lei, já enviado ao Congresso, propõe a redução da jornada semanal para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem corte salarial.
Em pronunciamento nacional, Lula afirmou que a medida visa melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, aumentando o tempo de descanso e convivência familiar. Ele comparou a jornada brasileira a modelos mais equilibrados adotados internacionalmente.
"A elite brasileira sempre foi contra melhorias para o trabalhador: o salário mínimo, as férias remuneradas, o 13º salário. A turma do andar de cima disse que cada uma dessas conquistas ia quebrar o Brasil. E o Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores", declarou Lula, em cadeia de rádio e TV. Segundo ele, a melhora na vida do trabalhador impulsiona a economia para todos.
A proposta é uma das principais apostas do governo na agenda trabalhista e tem expectativa de avanço no Congresso nas próximas semanas.
No mesmo pronunciamento, o presidente adiantou o lançamento do Novo Desenrola Brasil, programa que permitirá a renegociação de dívidas com descontos de até 90% e o uso do FGTS para quitação de débitos.
A nova política busca aliviar o orçamento de famílias endividadas, com foco em dívidas de alto custo como cartão de crédito e cheque especial. O governo espera um impacto econômico positivo, incluindo a liberação de recursos do FGTS.
Lula também anunciou que participantes do programa ficarão bloqueados por um ano em plataformas de apostas online. "Não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar as dívidas de jogo dos maridos. Não foi nosso governo que deixou as bets entrarem no Brasil, mas é o nosso governo que vai colocar um limite à destruição que elas vêm causando", disse o presidente.
O discurso abordou ainda a redução do desemprego e da inflação, a ampliação da licença paternidade, mudanças no imposto de renda e o auxílio gás. Lula destacou ações do governo para conter o aumento dos preços de combustíveis e alimentos, mitigando os efeitos globais da guerra no Oriente Médio.