As ações da Intel atingiram um recorde histórico nesta sexta-feira após a empresa divulgar uma projeção de vendas trimestrais que superou as estimativas de Wall Street. A fabricante de chips espera uma receita entre US$ 13,8 bilhões e US$ 14,8 bilhões para o trimestre encerrado em junho, superando os US$ 13 bilhões previstos por analistas, segundo dados da Bloomberg. Os papéis da empresa chegaram a subir mais de 28% no início do pregão, negociados a US$ 85,22, e mantiveram alta de 23,7% por volta do meio-dia, a US$ 82,64.
A perspectiva otimista, impulsionada pela forte demanda por chips para data centers e inteligência artificial, sugere que o plano de recuperação do CEO Lip-Bu Tan está avançando. "A situação passou da apatia para a euforia em um período muito curto", disse Thomas Hayes, presidente da Great Hill Capital, à Bloomberg Television. O governo dos EUA também se beneficia, com sua participação de US$ 8,9 bilhões na empresa agora valendo mais de US$ 36,9 bilhões.
A demanda aquecida por processadores Xeon, linha principal de servidores da Intel, está impulsionando as vendas. Tan afirmou que a empresa está "totalmente focada" em ampliar a produção para atender ao aumento da demanda, que ainda não consegue ser completamente suprida. A Intel também tem gerenciado a escassez de chips de memória, priorizando a produção para servidores.
O lucro do segundo trimestre é estimado em cerca de 20 centavos por ação, acima dos 9 centavos esperados por analistas. No primeiro trimestre, a receita subiu 7% para US$ 13,6 bilhões, com lucro de 29 centavos por ação, superando as expectativas. A margem bruta ajustada ficou em 41%, com previsão de 39% para o período atual. A empresa pretende aumentar investimentos em novos equipamentos de produção para ampliar a capacidade.
A Intel busca recuperar seu protagonismo na indústria de semicondutores. Sua divisão Intel Foundry Services registrou alta de 16% na receita. As divisões de chips para PCs e data centers também apresentaram resultados acima das estimativas. Apesar de ainda não ter um acelerador de IA que concorra diretamente com a Nvidia, a Intel tem investido na produção de microprocessadores para data centers de IA, área historicamente dominada pela sua linha Xeon.
Tan declarou que a Intel é "fundamentalmente diferente" de um ano atrás. "Hoje, a discussão é sobre quão rapidamente podemos ampliar nossa capacidade de produção e escalar a oferta para atender à enorme demanda por nossos produtos", afirmou.