O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, recorreu à Justiça dos Estados Unidos para evitar que suas finanças pessoais sejam rastreadas. A manobra ocorre enquanto ele negocia um acordo de delação premiada no Brasil. Advogados de Vorcaro buscam reverter uma decisão que permitiu a intimação de empresas para entrega de seis anos de registros financeiros e comunicações do empresário.
A ação foi iniciada pela liquidante do Master nos Estados Unidos, que visa impedir a ocultação de patrimônio após a liquidação da instituição financeira. O objetivo é garantir que bens como imóveis e jatinhos sejam usados para pagar os credores do banco. A liquidante investiga se o dinheiro do Master foi desviado para uso pessoal.
No início do ano, o juiz Scott Grossman autorizou 24 intimações judiciais para coletar registros financeiros de Vorcaro e outras 15 pessoas cujos bens foram bloqueados no Brasil. As intimações incluem pedidos a galerias de arte e lojas de luxo, como Christie's, Gagosian e Sotheby's, além de registros de mansões na Flórida, jatinhos e obras de arte de artistas como Picasso e Basquiat.
A defesa de Vorcaro alega que o tribunal americano não tem jurisdição para investigar o empresário pessoa física e que a liquidante não apresentou provas de conduta ilícita. Os advogados argumentam que a entrega de históricos de compras e finanças pode beneficiar os processos no Brasil. O pedido solicita a paralisação imediata da coleta de dados até que uma instância superior decida sobre a validade das intimações.
A defesa de Daniel Vorcaro não comentou o caso.