O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, rebateu nesta terça-feira (14) as críticas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ao relatório final da comissão. Em resposta às manifestações de integrantes da Corte, que consideraram o documento uma tentativa de constrangimento institucional e apontaram possível uso político em ano eleitoral, Vieira afirmou que os magistrados "não são donos do país" e que não se curvará a "ameaças".
As declarações ocorrem após a divulgação do parecer que pede o indiciamento dos ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e do procurador-geral da República no caso envolvendo o Banco Master. Vieira acusou ministros da Corte de intimidação explícita, citando diretamente falas de Gilmar Mendes e Dias Toffoli sobre possibilidade de punições e cassação de parlamentares.
"Eu não me curvo a ameaças. Não me curvava como cidadão, não me curvava ao delegado, não vou me curvar como senador da República", declarou Vieira, associando sua atuação à defesa das prerrogativas do Legislativo.
O relatório, caso aprovado, será enviado à Mesa do Senado, ao Ministério Público Federal e ao Conselho Superior do Ministério Público Federal. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já indicou que não tomará medidas relativas a processos de impeachment, que poderiam se originar de crimes de responsabilidade. A CPI entende que o Senado é o local apropriado para o julgamento de tais crimes.