O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), assume nesta terça-feira (14/04/2026) a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em um ano eleitoral, Marques promete uma gestão discreta, com foco na redução da tensão política.
A escolha de Marques para o cargo é protocolar, seguindo a antiguidade entre os ministros do STF. Ele substitui Cármen Lúcia, que antecipou sua saída da presidência. Com a posse, Nunes Marques será o responsável pela organização das eleições de 2026, desde a regulamentação das campanhas até o julgamento de disputas eleitorais.
Interlocutores do tribunal veem em Nunes Marques um perfil de "baixa fricção", com capacidade de articulação longe dos holofotes e de compor com diferentes alas da Corte. O ministro André Mendonça, que assumirá a vice-presidência, reforçou a expectativa de um trabalho voltado à "imparcialidade" e "estabilidade".
Formado em Teresina, Nunes Marques construiu carreira como advogado, juiz eleitoral e desembargador do TRF-1 antes de ser indicado ao STF em 2020 por Jair Bolsonaro. No Supremo, seus votos frequentemente se alinharam a posições conservadoras, mas, segundo colegas, sem aderir a embates públicos.
No TSE, onde atua desde 2021 e foi vice-presidente em 2024, Marques teve posições minoritárias em casos de grande repercussão, como no julgamento que tornou Bolsonaro inelegível. Mais recentemente, divergiu da maioria ao analisar o caso do ex-governador Cláudio Castro, entendendo a ausência de provas de participação direta do governador em esquema de contratação de cabos eleitorais.
Apesar de votos vencidos, colegas ressaltam o bom trânsito interno de Marques, considerado crucial para conduzir o tribunal sob pressão política em anos eleitorais. Ele herdará um pacote de regras já aprovadas, especialmente contra desinformação e uso de inteligência artificial.
Marques tem defendido uma atuação pela "despolarização" do processo eleitoral. O desafio será equilibrar esse discurso com decisões em casos complexos, como pedidos de cassação e disputas sobre propaganda.
A eleição marca a primeira vez que dois ministros indicados por Bolsonaro, Nunes Marques e André Mendonça, estarão à frente do TSE durante uma eleição geral. A mudança pode influenciar a percepção externa, embora a tradição do TSE tenda a mitigar mudanças bruscas.
O verdadeiro teste para Nunes Marques será político, ao conduzir uma das eleições mais polarizadas desde a redemocratização.