O advogado-geral da União, Jorge Messias, alcançou 48 votos para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), conforme apuração de líderes governistas e de oposição. A sabatina, agendada para 29 de abril pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, um dia antes da votação do veto sobre dosimetria de pena para condenados pela tentativa de golpe de Estado, deve registrar alta participação, o que beneficia Messias. Ele precisa de 41 dos 81 votos senatoriais para aprovação.
Em dezembro, quando indicado, Messias contava com cerca de trinta votos. Cinco meses de negociações foram cruciais para angariar apoio, inclusive de senadores de partidos como PL, PP e União, com auxílio de ministros indicados pelo governo Bolsonaro, André Mendonça e Kássio Nunes Marques.
A aproximação de Messias com senadores evangélicos foi articulada por André Mendonça, que o apresentou como um jurista alinhado a pautas conservadoras. Mendonça expressou publicamente o desejo de que Messias logo se junte a ele no STF.
O decano do STF, Gilmar Mendes, também atuou para angariar votos favoráveis a Messias.
Em contrapartida, o ministro Flávio Dino, colega de Messias no início do governo Lula, trabalhou contra a indicação.
Uma articulação para adiar a sabatina até após as eleições foi considerada, mas abortada após o senador Rodrigo Pacheco aceitar ser candidato a governador de Minas Gerais.
Para comparação, André Mendonça foi aprovado com 47 votos em 2021, Cristiano Zanin com 58 em 2023 e Flávio Dino com 47 em 2023.