O presidente nacional do PT, Edinho Silva, criticou nesta segunda-feira (14) a declaração do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, que isentou o ex-presidente da instituição, Roberto Campos Neto, de responsabilidade no caso do Banco Master. Edinho Silva afirmou que, com investigações em andamento na Polícia Federal e no Ministério Público, o BC também deve apurar a gestão anterior.
Segundo Edinho, caso as fraudes sejam confirmadas, a responsabilidade recairá tanto sobre Campos Neto quanto sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, responsável por sua nomeação. "O Banco Master foi autorizado a funcionar durante o governo Bolsonaro, na gestão de Campos Neto, com várias operações autorizadas pelo Banco Central. Se o Master existe e provocou operações fraudulentas, a responsabilidade é do governo Bolsonaro e do Campos Neto", declarou Edinho, questionando a isenção.
A declaração de Galípolo ocorreu na quarta-feira (9) durante sua participação na CPI do Crime Organizado. Questionado sobre o conhecimento de Campos Neto em relação a possíveis atuações para evitar a liquidação do Master em 2024, Galípolo respondeu que a sindicância interna do BC não encontrou indícios e que a liquidação, por seguir ritos, não poderia ter sido decretada antes.
A avaliação sobre a isenção de responsabilidade, contudo, só deverá ocorrer após as investigações, segundo Edinho. Ele citou o envolvimento de Paulo Souza e Belline Santana, ex-diretores do BC afastados por suspeitas de ligação com o dono do Master, Daniel Vorcaro, por decisão do ministro André Mendonça, do STF.
A estratégia do Palácio do Planalto de vincular o caso Master a Campos Neto e Bolsonaro foi discutida em reunião no início de março, com a presença de Galípolo e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As afirmações de Galípolo, no entanto, geraram irritação entre ministros próximos a Lula, que, em entrevista ao canal ICL, classificou o Master como "obra" de Bolsonaro e Campos Neto.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) também criticou o que chamou de "corporativismo" no BC, defendendo que a Polícia Federal investigue a fundo para identificar "quem está protegendo quem".
Campos Neto foi indicado por Bolsonaro ao BC em 2019 e permaneceu no cargo até janeiro de 2025. Durante sua gestão, o Banco Central foi alertado por anos sobre a expansão acelerada do Banco Master, que foi liquidado em novembro do ano passado sob alegações de fraude. Cartas de advertência foram enviadas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e executivos de grandes bancos também expressaram preocupação à autoridade monetária.