A quatro dias do segundo turno, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) planejam intensificar a busca pelos eleitores indecisos após a nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (21). O levantamento aponta empate técnico, com 45% das intenções de voto para Flávio e 44% para Lula.
Na pesquisa espontânea, os dois candidatos aparecem com 40%. A parcela de indecisos dobrou em uma semana, de 7% para 14%, enquanto, entre eleitores independentes, passou de 13% para 31%.
A rejeição de Lula caiu de 53% para 47%, enquanto a de Flávio recuou de 54% para 52%. Entre beneficiários do Bolsa Família, Lula oscilou de 60% para 62% e Flávio caiu de 31% para 27%.
A campanha de Flávio pretende reforçar o discurso antipetista e concentrar a ofensiva final nos eleitores de baixa renda. A equipe também prepara respostas para possíveis ataques no debate da TV Globo, marcado para sexta-feira, com orientação para reduzir provocações e priorizar propostas sobre segurança pública, custo de vida e programas sociais.
O senador é criticado por declarações antigas contrárias ao aumento do Bolsa Família e por uma proposta de regra de transição para beneficiários que conseguirem emprego ou abrirem um negócio. Lula e aliados afirmam que as declarações indicam risco para o programa, o que Flávio nega.
Integrantes da campanha do candidato do PL também avaliam que o chamado voto envergonhado e a força do antipetismo podem favorecer Flávio na reta final. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que a diferença está dentro da margem de erro e que a campanha manterá a mobilização.
A equipe de Lula interpreta a redução da rejeição do presidente como resultado da estratégia de associar Flávio a possíveis perdas de benefícios sociais e direitos. Petistas também citam medidas anunciadas pelo governo, como o reajuste do Bolsa Família, o perdão de dívidas de microempreendedores individuais e promessas como o Pé de Meia Universitário e o passe livre aos fins de semana.
Aliados do presidente afirmam que mulheres estão entre os principais grupos de indecisos a serem alcançados na reta final. Segundo a campanha, parte desse eleitorado teme perder benefícios sociais e direitos trabalhistas em um eventual governo de Flávio.
Flávio também passou a ser alvo de um inquérito no Supremo Tribunal Federal por suspeita de lavagem de dinheiro ao lado do advogado Willer Tomaz. Ele é investigado ainda em outro procedimento sobre uma suposta busca de financiamento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. O candidato nega irregularidades.
Fonte: O Globo