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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

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POLÍTICA

Cármen Lúcia: "Nem eu mudei o STF, nem o STF me mudou"

Ministra Cármen Lúcia, do STF, afirma que nem ela mudou o tribunal, nem o tribunal a mudou. Em palestra, abordou excesso de processos, cultura do litígio e confiança nas instituições.

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Cármen Lúcia: "Nem eu mudei o STF, nem o STF me mudou"

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, afirmou nesta segunda-feira (13) que sua permanência na corte não a alterou, nem ela modificou o tribunal. A declaração foi feita ao final de uma palestra na Fundação FHC, em São Paulo, onde abordou o tema "O Brasil na Visão das Lideranças Públicas".

Cármen Lúcia evitou comentar diretamente o projeto de um código de conduta no STF, para o qual foi designada relatora pelo presidente da corte, Edson Fachin. Em sua exposição, a ministra focou na cultura do litígio no Brasil e no grande volume de processos que chegam ao Supremo.

A ministra relembrou um caso pessoal para ilustrar a independência de sua atuação: "Já votei até contra o meu pai, que ainda estava vivo, no caso dos poupadores." Ela relatou ter seguido a Constituição mesmo quando contrariada por seu genitor, que concordou: "juiz não tem família, você tem compromissos".

Com mais de mil processos sob sua relatoria, Cármen Lúcia ressaltou a dificuldade em manter a agenda e atender às demandas. "Ontem à noite liguei o computador e vi que tenho 183 pedidos de audiência de advogados", relatou, classificando a situação como uma "avalanche que realmente precisa de ser repensada".

Ao comentar a queda na confiabilidade das instituições, a ministra apontou uma crise mundial de popularidade, mas destacou que o excesso de processos no Judiciário demonstra a esperança das pessoas em buscar justiça. "Democracia se baseia na confiança que você tem nas pessoas, nas instituições, muito mais hoje na figura dos juízes", disse.

Cármen Lúcia também mostrou ceticismo sobre a adoção de um modelo de decisão mais coletivo no STF, similar ao norte-americano, ponderando que a mudança cultural do Judiciário brasileiro é um desafio.

Fonte: O Globo

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