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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

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POLÍTICA

Lula adota discurso de "lei e ordem" para frear avanço de Bolsonaro em pesquisas

Presidente Lula intensifica discurso sobre segurança pública e adota tom mais punitivista em resposta ao avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais. Estratégia visa atrair eleitores de centro em cenário de disputa acirrada.

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Lula adota discurso de "lei e ordem" para frear avanço de Bolsonaro em pesquisas

Em resposta ao crescimento do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensifica seu discurso sobre segurança pública. A estratégia visa atrair o eleitorado de centro, incorporando um tom mais punitivista nas falas, que devem se tornar mais frequentes.

Pesquisas recentes indicam um cenário de acirrada disputa. Um levantamento do Datafolha divulgado no último sábado (11) mostrou Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% de Lula, configurando um empate técnico. O mesmo estudo apontou que 48% dos eleitores declaram não votar em Lula, enquanto 46% rejeitam Bolsonaro.

A preocupação com a segurança é um tema sensível para a população. Uma pesquisa Quaest do final de 2025 revelou que 30% dos brasileiros consideram a violência sua principal preocupação. Aliados do governo divergem sobre a estratégia. Alguns defendem celeridade na mudança do discurso, como o líder do PDT na Câmara, Mário Heringer (MG), que afirma: "Lula precisa rapidamente começar a falar para fora da bolha e trazer o discurso de punitividade na segurança". Outros veem a mudança como um risco, mas concordam com a necessidade de explorar temas caros à direita, como segurança, família e religião.

O presidente tem adotado uma retórica mais dura. Na última semana, em entrevista ao ICL Notícias, Lula questionou a atuação do Judiciário: "Precisamos ter uma discussão profunda sobre o papel do Poder Judiciário. Os governadores todos se queixam: a polícia prende um ladrão, e dependendo da fama dele, é solto no dia seguinte." Dias antes, ao comentar o aumento nos preços dos combustíveis, o presidente já havia defendido a necessidade de "colocar alguém na cadeia".

A campanha presidencial também avalia que Lula deve ser mais enfático no combate à violência contra a mulher, defendendo o endurecimento das penas para agressores. Embora o tema já tenha sido abordado, o entorno do presidente entende que uma postura mais firme pode ressoar com a maioria da população.

Essa mudança de tom é vista como um teste para a corrida eleitoral. A estratégia busca afastar a imagem de benevolência da esquerda com o crime e aproximar eleitores que não se identificam totalmente com Flávio Bolsonaro. Crimes como roubo de celular, e a punição a pedófilos, integrantes de facções criminosas e agressores, devem ganhar destaque no discurso.

Lula também retomou a defesa da criação do Ministério da Segurança Pública, promessa de campanha de 2022. O argumento é que a pasta pode ser viabilizada após a aprovação da PEC da Segurança, que já passou pela Câmara e aguarda análise no Senado.

"Estamos aspirando soluções de segurança baseada em evidência e em diálogo com Congresso. Ainda que isso signifique uma espécie de ênfase na expectativa da população, não é algo gratuito. É política baseada em evidência, com rigor e austeridade no combate ao crime organizado", afirmou o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.

Fonte: O Globo

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