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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

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ECONOMIA

Oncoclínicas registra R$ 3,67 bilhões em prejuízo e levanta dúvidas sobre sua operação

A Oncoclínicas registrou um prejuízo de R$ 3,67 bilhões em 2025, enfrentando sérias dificuldades de fluxo de caixa e adiamentos no tratamento de pacientes. A empresa avalia buscar proteção judicial contra credores e discute aportes de capital.

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Oncoclínicas registra R$ 3,67 bilhões em prejuízo e levanta dúvidas sobre sua operação

A Oncoclínicas divulgou um prejuízo de R$ 3,67 bilhões em 2025, um aumento significativo em relação às perdas de R$ 717 milhões do ano anterior. A rede de clínicas oncológicas enfrenta um grave problema de fluxo de caixa, com dívidas de curto prazo superando seus recebíveis em R$ 2,31 bilhões.

A maior parte da dívida, R$ 3,2 bilhões, é proveniente de empréstimos e financiamentos. Para piorar, a empresa deve R$ 1,10 bilhão a fornecedores, o que já impacta diretamente os pacientes. Relatos indicam adiamentos em sessões de quimioterapia, radioterapia e imunoterapia em unidades da rede.

Em relatório, a consultoria Deloitte apontou que o resultado financeiro da Oncoclínicas é reflexo do não cumprimento de índices financeiros em contratos de empréstimos e financiamentos. Isso pode levar ao vencimento antecipado das obrigações e pressionar a liquidez da companhia.

Diretores da Oncoclínicas admitiram em relatório que a empresa opera em um "cenário de incertezas significativas da continuidade operacional". Entre os motivos citados estão R$ 430,8 milhões perdidos em investimentos no Banco Master e a inadimplência da Unimed Ferj, no valor de R$ 861 milhões.

A companhia também informou que as fontes de recursos atuais "não serão suficientes para atender suas necessidades futuras de capital", e estuda potenciais aportes. Uma possível medida é buscar na Justiça uma proteção contra a cobrança de credores.

Estuda-se também um aporte de R$ 500 milhões do grupo Porto Seguro, que poderia criar uma nova empresa, a NewCo, para onde seriam migradas as clínicas de oncologia. O grupo Fleury também entrou nas negociações. Outra oferta de R$ 500 milhões partiu do fundo americano Mak Capital, condicionada à destituição do conselho de administração.

Pacientes relatam dificuldades no tratamento. A pensionista Sueli de Lima Gazoni, 57 anos, teve sua sessão de imunoterapia adiada duas vezes por falta de medicamento. "É câncer, e não gripe ou dor de cabeça", lamentou a filha da paciente, Juliana Rocha.

A Oncoclínicas informou que há instabilidade no abastecimento de medicamentos, mas que "implementa medidas para normalização progressiva do cenário na próxima semana". A empresa garante que o acompanhamento individualizado dos pacientes está sendo mantido.

O Globo

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