Brasília – O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) estuda um aporte de cerca de R$ 7 bilhões ao Banco Digimais, instituição financeira ligada ao Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo. A operação, segundo fontes de mercado, pode ocorrer antes da conclusão de negociações para a venda do controle do banco ao BTG Pactual, do empresário André Esteves.
O BTG Pactual anunciou na quarta-feira (9) o início de conversas para adquirir a participação majoritária no Digimais. A possível injeção de recursos do FGC, conforme analistas, visa sanear a carteira de crédito do banco, que enfrenta dificuldades há algum tempo.
“O Digimais tem experimentado há algum tempo problemas na carteira de crédito. Com uma dimensão grande e sem aportes, isso pode levar o banco à insolvência”, afirma um advogado especializado em direito bancário, que pediu para não ser identificado.
Segundo o advogado, o FGC pode realizar operações de suporte, como a compra de carteiras de crédito, para dar liquidez a instituições em dificuldades. Ele compara a situação com os anos de 2010 e 2011, quando bancos de médio porte passaram por problemas de captação e receberam medidas semelhantes.
Fontes internas do FGC confirmam que há discussões em andamento, mas ressaltam que as negociações estão em estágio inicial e que nenhuma definição foi tomada.
O Digimais já esteve perto de ser vendido anteriormente. Em janeiro do ano passado, Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master (liquidado em novembro de 2023 e cujo controlador está preso por crimes financeiros), anunciou a compra do banco, mas o negócio foi abortado meses depois.
A recente crise no setor, com liquidações de conglomerados como Master, Will Bank e Banco Pleno, já gerou um rombo de aproximadamente R$ 50 bilhões no FGC.
Balanço com ressalvas
O último balanço financeiro do Digimais, referente ao segundo semestre de 2025, já havia levantado alertas. A auditoria externa apontou ressalvas em parte relevante dos ativos do banco, que totalizam R$ 4,2 bilhões em fundos de investimento, fundos imobiliários e de participações.
Deste montante, R$ 3,1 bilhões estavam em fundos com inconsistências apontadas pela auditoria, como a ausência de demonstrações financeiras auditadas ou com auditorias realizadas há mais de seis meses.
Há duas semanas, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota do banco de Edir Macedo em dois níveis, de BBB para BB+, indicando um grau de especulação. A Fitch citou incertezas sobre o modelo de negócios e a volatilidade financeira. O resultado do banco foi impactado pelo encerramento de fundos geridos pela Reag Investimentos, necessitando de um aumento de capital de R$ 250 milhões no mês passado.
A Fitch também mencionou um processo movido pela gestora Yards, que administra um fundo de direitos creditórios. A Yards alega que o Digimais apresentou falhas em uma carteira de créditos oferecida como lastro para o fundo.
Procurados, o Digimais e o BTG Pactual não comentaram o assunto.
Fonte: O Globo