O senador Flávio Bolsonaro (PL) sinalizou apoio ao agronegócio e defendeu o marco temporal para demarcação de terras indígenas durante a ExpoGrande, em Campo Grande (MS), nesta quinta-feira (10/04/2026). O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro propôs que comunidades indígenas tenham autonomia para desenvolver atividades econômicas, como a criação de gado e a exploração de minérios em seus territórios.
Flávio Bolsonaro se comprometeu com as pautas do setor, afirmando que a "insegurança jurídica" em relação às demarcações acabará. Ele defende que as terras demarcadas após 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição, não sejam mais objeto de disputa.
"Essa insegurança jurídica vai acabar. Vai acabar na esfera constitucional, na esfera legal. Depois de 93 para cá, o correto seria: demarcou, tá demarcado, e não demarcou, acabou. Então o Congresso Nacional tem um papel importante de restabelecer a ordem constitucional no nosso país", declarou.
O senador também afirmou que uma futura gestão sua "respeitará os indígenas" e lhes dará autonomia para decidir sobre o uso de suas terras. "Se é plantar, se é botar gado, se é explorar minérios, se é implementar algum empreendimento de turismo, os indígenas têm que falar o que é melhor, têm que decidir o que é melhor para eles. Vão ganhar royalties, dinheiro disso. Vão prosperar, vão evoluir com isso, como alguns povos indígenas já estão fazendo. Não pode ser mais a caneta de um juiz que vai decidir qual é esse futuro", argumentou.
Críticos, como ambientalistas, alertam que essas atividades podem causar poluição, desmatamento e afetar o modo de vida tradicional das comunidades indígenas.
Em seu discurso, Flávio Bolsonaro também criticou o governo federal e o PT, acusando-os de serem "inimigos do agro". Ele mencionou a senadora Tereza Cristina, elogiando-a como "a melhor ministra da agricultura que esse país já teve" e indicando-a como possível vice em sua chapa.
O senador disse ter recebido uma pauta com 59 itens de interesse do agronegócio e prometeu "ouvir mais" o setor para que possa produzir com "mais eficiência, com cada vez menos custo e mais segurança". Ele reiterou que sua referência será o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Fonte: O Globo