O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, irritou o governo federal ao não atribuir responsabilidade ao seu antecessor, Roberto Campos Neto, no escândalo do Banco Master, durante depoimento à CPI do Crime Organizado nesta quarta-feira. A expectativa do Planalto e do PT era de que Galípolo confirmasse a tese de que a falta de ação de Campos Neto contribuiu para o caso.
Questionado sobre a atuação de Campos Neto, Galípolo afirmou que não há processos de auditoria ou sindicância que apontem culpa de seu antecessor. Ele também declarou que a sindicância realizada não encontrou nada que indicasse que Campos Neto tenha agido para evitar a liquidação ou intervenção no Master em 2024.
A postura de Galípolo contrasta com as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reiterou nesta quarta-feira em entrevista ao ICL Notícias a culpa de Campos Neto no escândalo. Lula chegou a afirmar que a responsabilidade pelo caso recai sobre o ex-presidente do Banco Central.
A insatisfação com Galípolo não se restringe ao depoimento. O Planalto também demonstra descontentamento com a demora na redução da taxa de juros pelo Banco Central, apesar da expectativa de que a medida ocorresse após a posse de Galípolo em janeiro de 2025. Apenas em março deste ano a Selic começou a cair, com um corte de 0,25 ponto percentual, chegando a 14,75%.
Apesar de evitar críticas públicas ao indicado para o Banco Central, Lula tem expressado decepção com a condução da política monetária nos bastidores. Em junho de 2024, antes de indicar Galípolo para o cargo, o presidente o havia elogiado como "menino de ouro".