O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, comparece nesta quarta-feira (8) à CPI do Crime Organizado para prestar depoimento como convidado. Sua presença é facultativa.
O requerimento para o depoimento foi apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE). Ele busca esclarecimentos sobre uma reunião ocorrida em novembro de 2024, no Palácio do Planalto, que contou com a participação de Galípolo e de investigados no caso do Banco Master, incluindo o empresário Daniel Vorcaro. Girão argumenta que o encontro levanta "questionamentos legítimos" e que a CPI precisa apurar a "finalidade institucional da reunião" e seus possíveis desdobramentos regulatórios.
Na mesma sessão, a CPI aprovou o requerimento para convocar o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Sua convocação, em tese, o obrigaria a comparecer, mas ele já obteve desobrigação em outros colegiados e busca um habeas corpus no STF para tornar sua ida facultativa.
O depoimento de Galípolo ocorre na última semana de atividades da comissão, cujo prazo se encerra no dia 14 de abril e não será prorrogado. O relator, Alessandro Vieira (MDB-SE), não obteve sucesso ao tentar convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a prorrogar o prazo.
A reta final da CPI tem sido marcada pelo esvaziamento de oitivas, reflexo de decisões do STF que permitem a depoentes não comparecer ou exercer o direito ao silêncio. Diante desse cenário, a presença de Galípolo é vista por membros da comissão como uma tentativa de dar dinamismo aos trabalhos antes do encerramento.